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Terça-Feira, 23 de Janeiro de 2018

CLARETIANO

27/05/2014 16:51:05
      
Caso raro leva bebê à morte em Vilhena e o próprio médico pede investigação

Há cerca de duas semanas o bebê Tiago Lacerda Henrique Soares faleceu no Hospital Regional de Vilhena, poucos dias depois de ter nascido, em função de uma situação incomum. A criança foi asfixiada pelo próprio cordão umbilical, que estava enrolado três vezes em torno de seu pescoço. O avô, Josias Alves Santana (FOTO) e a mãe do recém-nascido, Tatiani Lilian Lacerda Santana, por ora, não acusam a equipe médica de negligência ou imperícia, mas querem explicações mais detalhadas sobre o fato, por isso registraram Boletim de Ocorrência na Delegacia de Polícia Civil e devem acionar a Defensoria Pública para acompanhar a questão.
Por sua vez, o médico obstetra Renato Bueno recebeu a reportagem do FOLHA DO SUL ON LINE na noite da segunda-feira 26, e não apenas deu sua versão para o ocorrido, como garantiu que tomará a iniciativa para a abertura de processo administrativo a fim de apurar o ocorrido.
Segundo informações da família, Tatiani fez o pré-natal de acordo com o recomendado, e no dia 15 de abril realizou exame de ultra-som (veja documentos logo abaixo do foto principal), assinado pelo médico Wagner J. L. Junior, onde está descrito que o bebê estava com “passagem do cordão umbilical pelo pescoço”. Cerca de um mês depois, na quarta-feira, 14 de maio, um novo exame seria feito pela mãe, mas como não estava em jejum, acabou sendo dispensada do procedimento pelo médico Ângelo Keppe.
No sábado, 17, Tatiani foi levada ao Regional, ocasião em que foi atendida por Renato Bueno. Baseado na experiência de quem já fez quatro mil procedimentos do gênero, ele avaliou que ainda não havia chegado o momento do nascimento, por isso a mandou para casa, pedindo que retornasse na outra semana. Por volta das duas horas da madrugada do domingo 18, ainda em sua casa, Tatiani entrou em trabalho de parto.
Levada ao HR, foi atendida primeiramente pelo enfermeiro Gabriel Cury Neto e pelo médico Celso Eduardo Machado, que devido ao tamanho do bebe e às condições da mãe, optaram por fazer parto normal. Momentos depois, Renato Bueno chegou e assumiu o comando das ações, mas a criança estava presa ao ventre da mãe. Por volta das 11 horas da manhã, ela foi encaminhada ao centro cirúrgico, onde foi realizada cesariana. Tiago Henrique nasceu vivo e permaneceu durante dias entubado na UTI do Regional, entretanto acabou falecendo no dia 22, sendo sepultado no dia seguinte. O atestado de óbito, assinado pela médica Elaine Ferreira, descreve que houve sofrimento fetal agudo, anoxia, insuficiência respiratória e hemorragia pulmonar.
Chocados com o ocorrido e mesmo sem acusar ninguém, tanto a mãe quanto o avô do bebê acreditam que melhores informações devem ser dadas sobre o caso a fim de não deixar dúvidas se os procedimentos adotados pela equipe médica foram os adequados para a situação. Para tanto, na segunda-feira, 26, deram início à busca de autoridades, como a Polícia Civil e Defensoria Pública, solicitando averiguações. Segundo consta, até ontem não havia nenhum tipo de medida administrativa acerca do ocorrido tramitando no Regional.
O OUTRO LADO – Na noite de ontem Renato Bueno foi ouvido pela reportagem, e antes de dar seu depoimento afirmou que ficou arrasado com o que aconteceu e é solidário à família. “Um caso assim é a antítese do meu trabalho, pois fui qualificado justamente para fazer com que os bebês e mães tenham segurança, apoio e o melhor atendimento neste momento tão importante para os dois. Chorei junto com Tatiani, e até agora ainda lamento profundamente o que aconteceu”, afirmou.
Quanto aos detalhes técnicos do episódio, o médico afirmou que cerca de em 30% das gestantes o cordão umbilical acaba envolvendo o pescoço do feto. “Tal situação não é pré-requisito para que o parto tenha que ser realizado em centro cirúrgico, através de cesariana”, garante. O exame apenas serve para o obstetra dispor desta informação e ficar mais atento. O problema é que no caso de Tiago, o cordão estava enrolado três vezes no pescoço do bebê. “Isso é raríssimo de acontecer, uma autêntica fatalidade”, disse.
Renato assumiu que esteve com Tatiani na manhã do sábado, e naquela avaliação não considerou a possibilidade do nascimento poucas horas depois. E, já na madrugada do domingo, quando assumiu o comando do procedimento, por volta das 08 horas, constatou que a mãe tinha 9 centímetros de dilatação, com boa passagem e que o bebê estava bem. “O tempo todo monitorei seus batimentos cardíacos, e quando sua cabeça se encaixou o chamado ‘período expulsivo’ fase final do nascimento, cessou. Cheguei a segurá-lo pela cabeça, mas ele estava preso, o que no jargão de meu ofício se denomina parada de progressão”.
Não houve outra alternativa a não ser levar a jovem mãe ao centro cirúrgico para realizar a cesariana. “Ao tirarmos a criança constatamos que o cordão estava enrolado em seu pescoço dando três voltas, sendo que a última acabou por asfixiá-lo. Fizemos tudo para que o desfecho deste parto fosse uma coisa maravilhosa, e o tempo todo fiquei junto de Tatiani, segurando em sua mão. Infelizmente, todos nós fomos vítimas de um fato muito incomum”.
Questionado acerca do tempo em que levou para resolver realizar a cesariana, Renato Bueno declarou que todo o processo de nascimento de um bebê dura cerca de doze horas, portanto, não houve nada anormal. Quanto ao declarado risco de morte que a mãe teria corrido, ele afirma que foram os mesmo que qualquer pessoa que passa por um procedimento cirúrgico está submetido.
Renato disse também que, apesar de Tatiani ter lhe pedido antecipadamente para fazer o procedimento através de casariana, sua experiência o levou a decidir pelo parto normal, como tem sido o padrão entre os obstetras. “Tanto a mãe quanto o bebê estavam em boas condições de saúde, e a criança pesava apenas 2, 770 Kg. A dilatação era apropriada e não havia nenhuma complicação que justificasse a operação”, garante.
O médico confirmou que não há nenhum tipo de procedimento administrativo sobre o caso tramitando no Regional, “mas em respeito à família, em especial a Tatiani, eu mesmo farei o pedido de apuração detalhada dos fatos acontecidos para que não paire nenhuma dúvida sobre esta lamentável fatalidade”, encerrou.



Fonte: FS
Autor: Da redação


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