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Terça-Feira, 24 de Janeiro de 2017

CLARETIANO





04/08/2014 10:50:33
      
Programa da Record conta história de vilhenense que recebeu coração novo


O Hospital Universitário Alzira Velano é sempre palco de inúmeras histórias. Umas de alegria, outras de tristeza. A maioria é formada por histórias de bondade, esperança e fé. Há histórias em que a dor e a alegria se encontram. Outras em que o sofrimento acaba em felicidade. Com o aumento das doações e captação de múltiplos órgãos para transplante, histórias de dor, esperança e alegria se juntam.

Há dois meses, um gesto de imensa generosidade comoveu a todos no Alzira Velano e na região. A mãe que perdeu seu filho, jovem, doou todos os seus órgãos para transplante, atendendo ao desejo do rapaz. O nome do doador não foi divulgado pelo Hospital Universitário Alzira Velano, em obediência à legislação. Também não foram divulgados os nomes dos familiares e endereço. Como centro de captação, o hospital encerrava, ao entregar os órgãos à equipe dos outros hospitais indicados pela CNCDO (Central de Notificação Captação e Distribuição de Órgãos), sua função.

Mas o que aconteceu depois é hoje um fato público e merece destaque. O fato aconteceu na primeira semana de junho. Vítima de um acidente, um jovem chegou ao Pronto Socorro do Alzira Velano, em coma, com trauma crânioencefálico, e ficou no CTI em estado gravíssimo. Ao final de uma semana, teve morte encefálica e seus órgãos foram doados. De acordo com a determinação da CNCDO, o coração foi encaminhado para o Incor de São Paulo-SP, o pulmão para o Hospital Albert Einstein-SP, as córneas para o Banco de Olhos do Alzira Velano que, após serem preservadas, foram distribuídas para transplante em outros hospitais, pela CNCDO Sul, de Pouso Alegre.

Mas, a mão do destino, traçou um outro caminho. Misturando as histórias, aproximou desconhecidos, somou as dores e as esperanças e construiu um novo final feliz. É uma nova estória que merece ser reportada como exemplo de generosidade e fé.

O Hospital Universitário Alzira Velano não divulga nenhum nome ou informações que identifiquem o doador, mas nada impede que a família do doador se manifeste; é um direito dos familiares falarem do momento de dor e da decisão de doar. Há muitos casos que são retratados pela mídia. Recentemente a novela ‘Em Família’, da Rede Globo de televisão, mostrou o drama de um paciente, vivido pelo ator Reynaldo Gianechini, à espera de um coração e depois seu encontro com a família do doador.

O que acontece nesta história que contamos é parecido, mostrando, como diz o dito popular, que a vida imita a arte.

Desta vez, a mão do destino operou através das redes sociais, via internet.

Através do noticiário jornalístico das TVs, que cobriram o caso da doação dos órgãos no Alzira Velano, a família do doador que acompanhou pela televisão a saída dos órgãos, em um jato no aeroporto de Alfenas, rumo aos hospitais em São Paulo, assistiu também a chegada dos órgãos em São Paulo. Amigos e familiares do doador, juntando os fatos, buscaram nas redes sociais outras informações. No Facebook e no Google souberam de outras informações, juntaram os dados e encontraram o nome do receptor do coração e toda a sua história de luta para sobreviver.

Nos últimos dias, as redes sociais aproximaram as famílias do doador e do receptor do coração. Hoje, eles se falam quase que diariamente, fazem parte de um grupo de relacionamento no Whats Up, trocam palavras de carinho e devem se encontrar em breve, quando será prestada, na cidade do receptor, uma bela homenagem ao doador. A faculdade de Biomedicina e (futuramente) Medicina da cidade do receptor receberá o nome do doador.

A TV Record de São Paulo fará, na próxima terça-feira, dia 5, um quadro especial dentro do programa Hoje em Dia, mostrando toda esta história, desde a doação, até o dia de hoje. Uma equipe de jornalismo da Record esteve no Hospital Alzira Velano para saber como é feita a doação, a abordagem aos familiares e registrar o local onde os órgãos foram doados. O médico Olavo Guimarães, cardiologista do Alzira Velano, e referência do CNCDO, falou à reportagem que irá ao ar às 10h da manhã.

 

Duas histórias de fé e esperança

 

No inicio de junho a cidade de Machado (a 34km de Alfenas), sensibilizada, rezava pela vida de um jovem vítima de um acidente gravíssimo de moto. No Facebook, mensagens de apoio à família, depoimentos de amigos, fotos e preces, mostravam carinho e esperança na recuperação.

A 2.254 quilômetros de Machado, na distante cidade de Vilhena, em Rondônia, os moradores também se juntavam emocionados, pedindo pela vida de um jovem, vítima de uma doença gravíssima no coração, e que estava à beira da morte. No Facebook, mensagens de fé e esperança.

No dia 6 de junho os caminhos se cruzaram, estas duas histórias se juntaram, sem que nenhum dos lados soubesse.

O coração doado pelos familiares do jovem de Machado-MG seguiu para o Incor, em São Paulo, onde foi transplantado no jovem de Vilhena-RO.

Uma semana depois, foram juntados, através das redes sociais, as pontas das duas histórias.

O doador dos órgãos, Rudy Campos Carvalho, jovem de 30, comerciante, estudante de Administração de Empresas, filho de Antônio Alberto Carvalho e Fátima Vieira Campos, morreu em consequência de um acidente no trevo de Machado.

O receptor do coração é Diego Cris Magalhães Colombi, jovem de 30 anos, comerciante, casado com Cristiane, pai de duas filhas.

Hoje, Diego está muito bem. O transplante foi um sucesso. Ele já caminha com a esposa por São Paulo, onde deverá morar por seis meses, quando deverão terminar os procedimentos pós-cirurgia, e ele poderá voltar à sua cidade.

Cristiane, sua esposa, conversou com a reportagem pelo telefone. Ela contou que Diego há oito anos tinha uma doença grave no coração e que se agravou nos últimos oito meses. Ele não conseguia trabalhar nem caminhar. O coração cresceu, diminuindo os batimentos cardíacos. A doença do coração afetou os outros órgãos. Ele saiu de Vilhena para se tratar em São Paulo, em estado gravíssimo. Seus últimos dias antes do transplante foram trágicos. Chegou a ter apenas nove batimentos cardíacos por minuto. O rim estava parando. Um dia antes do transplante teve uma parada cardíaca de cinco minutos e, segundo ela, quando a família já estava em desespero total, chegou a noticia da doação e da possibilidade do transplante. A alegria foi imensa, mas ao mesmo tempo houve medo, apreensão, a cirurgia era muito complicada. Hoje, Diego e Cristiane e todos familiares, são imensamente gratos ao doador Rudy e a sua família. “Não há um só momento em que eu não me lembre dele com gratidão”, diz Cristiane, contando que já conversou com Fátima, mãe do Rudy, por telefone, que se falam pelo Facebook e que as famílias criaram um grupo no WhatsApp.

Em setembro, as famílias vão se encontrar em Vilhena, para inaugurar o câmpus da Faculdade que receberá o nome de Rudy Campos Carvalho.

Evangélica, Cristiane diz que nunca perdeu a fé que agora está redobrada e que o esposo Diego está tão feliz que se sente mineiro, um mineiro de coração.

 

Coração materno

 

“Sabe uma coisa que você nunca sentiu? Um amor pleno? A doação dos órgãos do meu filho me fortaleceu, me fez bem. Estou de pé através deste ato, meu gesto foi para cumprir o desejo dele, e uma decisão coerente, eu me curvei diante da vontade do Pai. Foi uma experiência muito forte, uma atitude espiritual; naquele momento que eu doei o meu filho foi um ato de obediência a Deus”. É assim, com a voz forte e decidida que a dentista machadense Fátima Vieira Campos começa a contar a sua história de dor profunda, amor pleno e fé inabalável.

“A minha dor de perder um filho lindo, perfeito, meu grande amor, não tem tamanho. Sei que fui muito amada. Ele me agradava o dia todo, expressava seu carinho a todo momento, me fez muito feliz. Ele era muito carinhoso, carente, simpático. Todos gostavam muito dele, ele tinha carisma. Rudy era o filho mais amoroso, mais carinhoso, mais atencioso. Éramos grandes amigos”.

Rudy Carvalho, depois de morar três anos em São Paulo, voltou a Machado para concluir curso de Administração. Era um rapaz de porte atlético, bonito, comunicativo, feliz.

Naquele triste dia, Rudy acabara de trocar peças na moto para vendê-la em Poços de Caldas no final de semana. Piloto experiente, estava animado com a venda da moto. Arrumando-se para ir fazer uma prova na Faculdade, disse para a mãe, horas antes do acidente que o levou à morte. “Mãe, a partir de hoje você vai ter orgulho de mim, minha vida vai mudar. Você vai ficar orgulhosa do seu filho”. “Mas eu tenho muito orgulho de você, meu filho.”

Depois de despedir carinhosamente da mãe, Rudy saiu e em pouco tempo voltou. Esquecera o celular. A mãe jogou o aparelho, pela janela e disse: “vai com Deus meu filho". Diferente das outras vezes, ele olhou pra cima e disse: ‘Amém!’

Meu coração sentiu um baque. Mas não liguei. Pouco depois, a trágica noticia. O acidente. O medo. A dor. O desespero. Os dias infindáveis à espera de uma boa notícia. As visitas esperançosas ao CTI do Alzira Velano, onde ela rezava junto ao filho, todos os dias.

“Para mim, a fase do CTI do Alzira Velano foi uma preparação. Teve um momento em que eu me curvei, obedeci a vontade de Deus, e o meu espírito se fortaleceu. Uma noite, na visita ao Rudy, no CTI, tive dificuldade de terminar de rezar o Pai Nosso, de dizer: “seja feita a vossa vontade”. Em casa, como nunca dormia, busquei consolo na Bíblia, procurei ler sobre o sofrimento de Maria, mãe de Jesus, mas só encontrei o texto sobre crucificação de Cristo. Li umas quatro vezes. Cansada, cochilei e, em estado de vigília, me lembrei de um fato acontecido muitos anos atrás e que havia se apagado da minha memória. Estávamos reunidos para um almoço, num final de semana, quando Rudy chegou, foi lavar as mãos e do nada me disse: ‘Mãe, eu decidi, vou ser doador de órgãos, vou colocar um aviso na minha carteira e se me acontecer alguma coisa, quero doar tudo’. Assustada, disse que não deveria, que eu não concordava, mas ele foi categórico: ‘Vou sim, mãe, vou ser doador, quero doar todos os meus órgãos’.

Ao me recordar desta imagem, tão nítida, do meu filho e da sua vontade, meu coração se acalmou, fechei a Bíblia e consegui dormir. Na manhã do outro dia, no Hospital, o dr. Otacílio me deu a noticia de que iriam abrir o protocolo de morte encefálica. Eu entendi tudo e disse que iria doar todos os órgãos. Depois fui ao CTI ver meu filho e orar com ele. Rezei o Pai Nosso e desta vez, pude dizer com tranquilidade: "Seja feita a vossa vontade".

Ao sair dali pedi que comprassem um lençol branco, o melhor, do mais puro algodão, para envolver o corpo de meu filho e enterrar o meu querido Rudy, como Jesus, o filho de Maria.”

 



Fonte: Jornal dos Lagos
Autor: Reprodução


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