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CLARETIANO
LEO





09/10/2015 15:21:18
      
Com professores a menos, Dia das Crianças vira tristeza em escola de Vilhena

Professores se despedem em clima de pesar


*Leiliane Inês Francisco

Mãe de uma aluna da escola municipal Chitosse Mochizuki Inaba, a jornalista Leiliane Francisco escreveu, especialmente para o FOLHA DO SUL ON LINE, um texto relatando o ânimo na instituição, atingida por uma das medidas da Secretaria Municipal de Educação para poupar recursos. O corte de professores foi anunciado hoje pelo titular da Semed, José Carlos Arrigo.

Veja abaixo, na íntegra, a crônica da comunicadora:

O Dia das Crianças é celebrado na escola Chitosse e os alunos ganham de presente do prefeito Zé Rover um professor a menos em sala de aula. 
Rover decide fazer corte no número de professores nas escolas do município e festa idealizada pela escola Chitosse M. Inaba para celebrar o Dia das Crianças, durante o período de aula, nesta sexta-feira, 9, vira também despedida de alguns servidores. E crianças que ocupam sala com mais de 35 alunos ganham de presente um professor a menos.
Pais chegam à escola de mãos dadas com seus filhos, ainda é cedo, mas o ânimo da garotada está a mil. Super-heróis, princesas e fadas estão eufóricos com a festa que os aguarda. O cenário está lindo, e professores caracterizados de personagens de desenhos animados aguçam ainda mais a curiosidade dos pequenos para correrem castelo adentro de uma escola que mais parece um reino mágico. Uns gritam: “Pai!!! Olha, a princesa!” 
Outros, em meio a tanta euforia, rindo, pulando, já avistam o brinquedoo e gritam: “Corre!! Tem pula-pula!”
Mas sem adentrar no primeiro momento ao reino encantado preparado para os alunos, que por certo terão um dia mágico, é possível observar um grupo de professoras, ainda no rol de entrada. Conversam, e uma segue com dedos ágeis a criar uma capa de super-herói, em segundos. “Sou a melhor fazedora de capa!”, exclama, ao lado das colegas. Realmente, nem o The Flash confeccionaria uma capa para o pequeno Batman tão rápido. Mas, neste meio, o clima é outro.
Ouve-se um desabafo injuriado e visivelmente triste:
–Era pra ser um dia de alegria, celebração, mas para os professores será um dia de despedida. 
Outra seguem dizendo:
– Imaginem! Como o prefeito ainda diz que vai conseguir manter a qualidade de ensino, deixando uma só professora em uma sala de 35 crianças. Ah! Eles dizem que é só até dezembro. Mas parece que as crianças já sentem o cheiro de férias e no último trimestre estão bem mais eufóricas... 
Neste reino encantado, também existem ceifadores, bruxas e um mundo negro de retaliações. E rapidamente, a fazedora de capas olha-me nos olhos e, preocupada, diz:
– Não ouviu isso de mim.
E com um pequeno riso contido, consternada, abaixa a cabeça. Mas a colega ao lado continua: 
– É muito triste: todos nós trabalhamos para ter recursos, aplicarmos na escola, e fazermos o ambiente de ensino melhor, mas por outro lado desgostam a gente nessas situações... 
A sorte é dos pequenos seres mágicos. Que sentem só o amor e se perdem na riqueza lúdica que as professoras idealizaram para elas no dia de hoje. A algazarra no pátio é intensa. Tem Homem-Aranha pulando, princesas reunidas lanchando em um banquete compartilhado, regado a suco natural. No ambiente, circulam fadas, Rapunzel, Branca de Neve, até a Chiquinha foi vista por lá comendo algodão doce. Sem falar no castelo inflável... Imagine duas princesas entre quatro e cinco anos de idade se abraçando, imaginou? Então, lá dentro do castelo é possível espiar e ver o riso natural no rosto de cada uma. É encantador! 
O reino encantado investiu recursos financeiros próprios e contou com intensa dedicação dos professores, súditos aplicados a fazer o Dia das Crianças o melhor, na escola Chitosse. Alunos de ambos os períodos de ensino usufruíram de um espaço cuidadosamente decorado. Tudo para darem um dia de aula em que as crianças pudessem se divertir, e ainda levarem para suas casas uma bolsa cheia de surpresas como lembrança de que viveram um dia mágico na escolinha.
Diante da balbúrdia, professoras que tornaram esse dia possível, mantinham olhos atentos nos pequenos, perdidos no reino em que tinham tanto a aproveitar. Na ocasião já era possível imaginar a despedida. O abraço nos seus pimpolhos seria diferente no dia de hoje. Infelizmente, no mundo real não tem faz de conta: após o feriado alguns terão que encarar ajustes em novos períodos de aula com mudanças de turma. Há ainda abraços mais longos, pois há quem, na semana seguinte,  não esteja realojado nem ao mesmo lecionando em outra turma, e sim: já não farão mais parte da equipe Chitosse.
Nem toda história tem um final feliz, mas a da escola infantil Chitosse talvez não seja tão triste quanto há outras escolas do município nas quais um maior número de professores antecipou no dia de hoje uma despedida que só aconteceria no final no ano letivo. O certo é que será preciso usar  um pouco de mágica para um único professor dar aula para mais de 35 alunos. E só mesmo a magia para fazê-lo crer que isso não afetará a qualidade do ensino aplicado.




Fonte: Folha do Sul
Autor: Leiliane Francisco


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