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Terça-Feira, 24 de Outubro de 2017

VALDOMIRO RODEIO
LEO





01/04/2016 17:02:20
      
Em Vilhena, justiça condena dois homens que mataram pedreiros “por engano”

Outro acusado já foi julgado e cumpre pena no presídio Cone Sul

Acusados pelos assassinatos, em 2014, dos pedreiros Valdir Alves, de 44 anos, e Odail Ferreira de Proença, 35, os réus Vagner Ângelo, 46, e José Cláudio da Silva, 42, foram condenados nesta sexta-feira, 01, pelo Tribunal do Júri, reunido no Fórum Desembargador Leal Fagundes, em Vilhena. Apenas o segundo (José Cláudio), no entanto, compareceu ao julgamento. O outro (Vagner), mesmo ausente, também foi sentenciado. Um terceiro acusado pelo crime, Wanderson Rodrigues da Silva, 20 anos, já foi julgado e condenado. Leia aqui.
Segundo os autos, o trio chegou à casa onde os pedreiros trabalhavam, de propriedade do contador Dagoberto Moreira, que seria o verdadeiro alvo da ação, e que foi morto posteriormente, num veículo roubado, guiado por Vagner Ângelo. Wanderson e José Claudio entraram no imóvel já de armas em punho, anunciando um falso assalto, mas já atirando sem dar chance de defesa às vítimas. 
O dono da casa, que seria o alvo, estava num escritório na edícula, junto com um rapaz de nome Juliano, que ao ouvir os disparos saiu da sala e foi recebido a tiros. Fugindo dos disparos, ele voltou para dentro, fechando a porta. Relembre o crime.
A acusação trazida nos autos pedia a condenação dos réus por dois homicídios duplamente qualificados por motivo torpe e por recurso que impossibilitou a defesa das vítimas. E também pelo crime de tentativa de homicídio qualificado contra Juliano. 
O promotor de justiça, Elício de Almeida e Silva, pediu aos jurados que desconsiderassem a acusação de tentativa, já que Wanderson, que já foi julgado, assumiu ter sido ele a atirar contra Juliano. Elício, no entanto, manteve as acusações de dois homicídios duplamente qualificados.  
Almeida e Silva sustentou que Vagner, embora não tenha disparado a arma efetivamente nas vítimas, deu condições aos atiradores ao levá-los até o local e dirigir o carro na fuga. Já sobre José Claudio, o promotor citou que uma testemunha o reconheceu como sendo um dos atiradores. 
Vagner Ângelo, que está foragido e não compareceu ao julgamento, e José Claudio, que está preso em Cuiabá (MT), e foi trazido para ser julgado, foram defendidos pelo advogado Juarez Vasconcelos, que apresentou a tese de negativa de autoria. 
Para Vasconcelos, os autos não trazem provas incontestes da culpa de seus clientes. “As acusações da Promotoria se baseiam num único testemunho?”, questionou o causídico e continuou: “Acho esse caso muito estranho: fala-se que houve um mandante, mas esse suposto mandante foi absolvido, muita coisa não bate neste processo, que deixa muitas dúvidas, e se há dúvidas não se pode condenar”, concluiu o defensor, pedindo a absolvição dos réus por negativa de autoria. 
Após cinco horas de julgamento, a juíza Liliane Pegoraro Bilharva leu a decisão dos jurados, que tiveram que votar seis séries que quesitos. O júri  absolveu os réus da acusação de tentativa de homicídio contra Juliano, como havia pedido o MP. Quanto aos crimes de homicídios duplamente qualificados, os jurados entenderam que os dois são culpados, e os condenaram. 
Vagner, que está foragido, recebeu pena de 18 anos de reclusão. Já José Cláudio da Silva, teve a pena dosada em 19 anos, 9 meses e 18 dias de prisão. 



Fonte: Folha do Sul
Autor: Rogério Perucci


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