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Sexta-Feira, 24 de Março de 2017

CLARETIANO
BIOCAL


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21/07/2016 16:58:19
      
Após delações de índios e ações corajosas da PF, não há mais brancos em garimpo de RO

Área estava ocupada e sendo explorada desde a década de 1990

Desde a descoberta de diamantes em grande quantidade nas terras da etnia Cinta-Larga (TI Parque do Aripuanã), em momento algum a comunidade indígena afetada deixou de conviver com o funcionamento do garimpo no “Laje” ou “Roosevelt” (como é conhecido o local de extração de diamantes, foto). 

Desde aproximadamente 1999 (apesar da perícia da PF ter identificado movimentos de extração vegetal já em 1990), com um pico de atividades em 2004, a extração desenfreada nunca foi totalmente paralisada, apesar dos esforços da PF, único órgão a construir bases para o combate a essa ilegalidade na região e nos limites das terras indígenas. 

Com o engenho e conhecimento de fronteira do hoje aposentado delegado de polícia federal Mauro Espósito é que essas bases foram assentadas (são elas: a Jaguatirica, a Diamante, a Bradesco e a Sussuarana, além da base Roosevelt na zona urbana de Pimenta Bueno) e contribuíram para ser fonte segura nas tentativas de controle. Aliás, elas foram e continuam sendo parte da solução dos problemas e foi a partir delas que se construiu o conhecimento necessário para se chegar nos dias de hoje.

De lá para cá muitas apreensões de pedras preciosas (fotos), prisões e cercos, apesar de não deixar o garimpo em completo abandono por parte do Estado, pouco pode fazer ante a cobiça e o lucro que a riqueza do solo indígena oferece. A extração manteve-se sempre operante, com máquinas pesadas e especializadas (foto: a chamada resumidora), sendo que ultimamente quase toda a comunidade Cinta-Larga tinha alguma ligação com o garimpo. 

Para trabalhar, cada branco tinha de ter “seu” índio e cada índio interessado tinha “seu” branco no Lage. A farra vem cobrando seu preço, em especial dos próprios Cinta-Largas, que tem em suas terras um rasgo de 300 hectares, com cavas que chegam a 15 metros de profundidade e até 50 metros de largura (fotos), além de ter enfrentado em passado muito recente todos os males que a presença de brancos em terras indígenas causam por si só e que é maximizado pelo garimpo, que traz consigo armas, violência, bebidas, drogas e prostituição. 

Tendo sofrido um massacre (o do Paralelo Onze, que acabou por ajudar na criação da Funai) e infligido um (em 2004 contra garimpeiros, cujo processo crime está em andamento com denúncia apresentada pelo MPF na Justiça Federal em Vilhena) o combate à extração sempre foi obstaculizado, em especial, pela presença indígena no garimpo: a PF nunca quis conflito com os donos da terra e vítimas últimas de toda ilegalidade. 

Não é a única razão, mas o índio no garimpo e a correspondente proteção que lhes dava a liderança era fato preponderante para impedir a ação incisiva da PF contra os garimpeiros. A polícia, portanto, apenas cercava o território – que é enorme – e tentava abafar a extração com meios que tem. Tal procedimento, até então o único possível, contribuiu. Contudo foi depois da operação Crátons (em 2015, conduzida por uma equipe de novos policiais em Rondônia) que se abriu de vez as portas para o controle do garimpo Roosevelt. 

Em trabalho conjunto, o MPF em Vilhena e a PF conseguiram formatar e fechar seis acordos de delação premiada com as lideranças presas pela operação Crátons. Com a presença do MPF, de procuradores federais, e dentro do prédio da Funai na cidade de Cacoal, os índios confessaram sua ligação com o garimpo, contando detalhes sobre o funcionamento mais íntimo do negócio e, o que é mais importante, prometeram livre acesso à PF ao interior de suas terras, respeitada a autoridade dos caciques e sua forma de viver. 

Com isso, as entradas no coração do garimpo começaram a ser frequentes. O Caop, setor aéreo da PF, cedeu helicóptero (foto) e a PF em Rondônia mais uma vez forneceu policiais que se infiltraram em pequeno número (foto) em busca de garimpeiros que, mesmo após a prisão de várias pessoas por ocasião da Crátons, insistiam em permanecer no Roosevelt. 

O Ibama também fez parte de uma dessas incursões e, em todas elas, desde então, máquinas de grande porte vem sendo inutilizadas. Tudo baseado em representações policiais e consequentes mandados judiciais emanados pela Justiça Federal em Vilhena em continuidade a operação Cratons. 

A continuar como está a combinação de fatores e vontades entres as partes envolvidas, o controle permanente do garimpo é factível e seus benefícios já começam a se alastrar entre a comunidade indígena que se vê livre de invasores e ameaças de todo tipo. 

Foi depois de decorrido isso tudo que se chegou ao presente momento. Em sua última incursão, a PF efetuou a prisão dos últimos brancos no Lage (foto). Atravessando a madrugada em diligência no profundo interior da selva amazônica em semi-estradas a PF, sem qualquer obstáculo por parte da etnia Cinta-Larga, invadiu o último acampamento garimpeiro para debandar de vez a presença não-indígena no Roosevelt. 

Desse dia em diante, e até aqui, as lideranças todas são unânimes em dizer que não há mais garimpeiros na TI Parque do Aripuanã, sendo que os presos em flagrante continuam na cadeira já que a Justiça Federal os considera o que realmente são: fomentadores perniciosos da tentativa de destruição sócio-cultural de toda uma etnia indígena. E diz-se tentativa porque os Cinta-Larga são guerreiros indomáveis, cuja tradição não os deixa vergar. A PF espera que assim continuem os Cinta-Larga e a TI Parque do Aripuanã, uma posse exclusiva dos seus habitantes tradicionais!



Fonte: Foto: Divulgação
Autor: Da redação


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