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CLARETIANO
BIOCAL


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28/12/2016 10:47:29
      
OPINIÃO: “Tirar dinheiro de vereadores e dar a secretários em Vilhena resolve alguma coisa?”

*DIMAS FERREIRA

Embora eu não seja cético (ao contrário, me considero bastante otimista), estou entre aquelas pessoas que nunca acreditaram em soluções fáceis para problemas complexos.

E tenho visto, por ingenuidade, por revolta com a classe política ou mesmo por desinformação, a grande campanha deflagrada nas redes sociais e em grupos de WhatsApp pela redução do repasse que é feito pela prefeitura à Câmara de Vereadores de Vilhena.

A proposta virtual prega que o montante destinado à manutenção do Parlamento caia de 7% para 5%. Diz o material de divulgação da campanha que a economia milionária que resultaria desta mudança seria investida integralmente na Saúde.

De fato, a rede pública de saúde local anda capenga, tanto na estrutura quanto no atendimento. Muito por incompetência e má vontade e outro tanto pela corrupção que, segundo andaram revelando as investigações da Polícia Federal, desviou verbas que, ao fim e ao cabo, salvariam vidas.

Mas, a não ser para quem acredita que a suposta inutilidade dos vereadores é o oposto de uma possível integridade de secretários municipais, para quem iria o dinheiro poupado, esta matemática não faz o menor sentido. Qual a lógica de se tirar recursos de algumas figuras públicas e entregá-los a outras, se não há confiança em nenhum deles? Lembrem-se: se houve vereadores indo para a cadeia na cidade, também teve gestor que foi parar no mesmo lugar, respondendo por práticas idênticas.

Isto posto, este desconfiado escrevinhador, em que pese a afirmação inicial, de que não leva fé em “soluções fáceis”, apresenta uma alternativa que, se não é das mais inteligentes, ao menos é justa: propor que a Câmara aperte o próprio cinto e firme compromisso de economizar o suficiente para ajudar entidades vilhenenses que,hoje, só funcionam graças à boa vontade de alguns abnegados.

Cito, para ficar em apenas alguns casos, o Lar dos Idosos, a Apae, a Trindade Santa e ONG “O Caminho”. Todas estas instituições atendem pessoas tão necessitadas quanto as que procuram ajuda em hospitais e postos de saúde. São exemplos de transparência em gestão e que fazem muito usando o mínimo (que ganham a conta-gotas doadores e voluntários). Ao contrário da Câmara e da Prefeitura, cuja despesa é quitada todo mês (a não ser quando roubam tudo), pela sociedade inteira (na marra, através de impostos), com os recursos que caem nas contas, com crise ou sem.

Ao lançar esta idéia, já deixo aberta a possibilidade de os próprios leitores incluírem outras instituições que poderiam usufruir da economia que os nossos parlamentares eventualmente estivessem dispostos a fazer.

E finalizo com um singelo argumento em favor da iniciativa que defendo: o dinheiro que fosse investido nestas entidades ajudaria a garantir um tratamento mais digno a idosos que, muitas vezes, foram abandonados pela própria família; também representaria uma esperança para quem trava a sempre dramática batalha contra as drogas; e ainda seria um alento para pessoas que, com a capacidade reduzida, só podem contar com profissionais especializados que os ajudam a buscar a superação a cada dia.

Conheço o trabalho de todos os que indico como beneficiários das verbas públicas, e atesto que, com eles, não há desperdício ou desonestidade. 

Portanto, ao arrancar o dinheiro dos dois poderes, ainda que a quantia seja irrisória, estaríamos contribuindo para que, ao invés de custear portarias de quem sequer comparece ao trabalho, a grana “confiscada” torne melhores as vidas de quem precisa (e é grato) pelo pouco apoio que recebe.

Dimas Ferreira, 50, é advogado e editor do FOLHA DO SUL ON LINE






Fonte: Folha do Sul
Autor: Dimas Ferreira


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