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Sexta-Feira, 18 de Agosto de 2017

Ultrasonografia
LEILÃO JUDICIAL





09/02/2017 10:01:55
      
Família de jovem grávida de seis meses, atropelada e morta por policial em Vilhena, pede justiça

“Ele acabou com as nossas vidas. Era a minha única filha”, diz mãe.

"Ele acabou com as nossas vidas. Era a minha única filha e meu único neto. Minha filha morreu e ele continua livre. Queremos que a justiça seja feita e que ele seja punido pelo o que fez". A frase de tristeza e revolta é da mãe de Fernanda Lioterio Oliveira Costa, de 21 anos, que morreu após ser atropelada por um policial militar, com suspeita de embriaguez, no fim do ano passado. Fernanda estava grávida de seis meses e o bebê também faleceu após o acidente.

Trabalhando como vendedora, Sandra Lioteiro conta que a filha tinha o sonho de ser mãe e não quis esperar o término da faculdade de direito para engravidar. Em 2017 ela cursaria o 9º semestre, e o parto de Artur estava previsto para março. "Foi uma alegria enorme para a família. Ela estava radiante. Estávamos muito felizes e ansiosos pela chegada de Artur", lembra.
Contudo, um acidente mudaria os planos da família para sempre. Eram quase 20h do dia 29 de dezembro, quando Fernanda saiu da residência da mãe e estava a caminho de casa. Ela pilotava uma motoneta pela Avenida Benno Luiz Graebin, sentido Avenida Melvin Jones, quando foi atingida por um carro.

"Nossos sonhos acabaram. Ela foi para o hospital e morreu, junto com meu neto. Ele [policial] não quis fazer o bafômetro, fez o exame clínico que deu negativo, e foi para casa", lamenta a mãe emocionada.

Depois da tragédia, o marido de Fernanda não conseguiu voltar para casa. O auxiliar de produção Rodrigo de Souza Silva, de 27 anos, diz que é difícil continuar a rotina sem a presença da esposa. Ele está morando na residência dos sogros.

"São muitas lembranças. Os preparativos para a chegada do nosso bebê, que era o nosso grande sonho. Ela sentada no sofá, me esperando todos os dias para almoçar. Para mim é como se ela tivesse feito uma viagem, e eu estou esperando ela voltar", ressalta comovido.

A emoção também toma conta do pai da jovem, o servidor público José augusto de Oliveira Costa.  José acredita que o policial representa perigo à sociedade. "Hoje foi a minha filha, amanhã pode ser um ente querido de outras famílias. Se nada for feito, ele vai ficar impune. Minha filha era muito carinhosa; nunca me respondeu. Nossa convivência era maravilhosa. É muito difícil conviver com esta perda", enfatiza.


ACIDENTE
Enquanto Fernanda transitava pela Avenida Benno Luiz Graebin, o cabo da PM, Heleno Alves da Luz, de 41 anos, dirigia um carro pela Rua Francisco Oscar Mendes, sentido BR-364. No cruzamento das vias, o policial teria avançado a preferencial e colidido transversalmente com a moto.

Heleno não teve ferimentos. Já Fernanda sofreu escoriações pelo corpo, reclamava de dores na barriga e foi socorrida pelo Corpo de Bombeiros ao Hospital Regional. Na unidade de saúde, mãe e filho não resistiram aos ferimentos.

Conforme o boletim de ocorrência, a perícia foi acionada, mas informou que não iria ao endereço do acidente, pois um dos veículos havia sido removido do local. Ainda segundo o registro, o PM apresentava um sinal de embriaguez alcoólica; ele estava com os olhos avermelhados.

Os militares ofereceram o teste do bafômetro, mas o policial recusou assoprá-lo. Ele foi levado para a Delegacia de Polícia Civil, passou por exame de constatação de embriaguez com um médico, e o resultado deu negativo.
O delegado Alirio Avelino da Silva Junior, responsável pelo caso, explica que um inquérito foi instaurado para apurar as circunstâncias do acidente. A princípio, a polícia trabalha com a hipótese de homicídio culposo, quando não há intenção de matar. "O inquérito está em andamento. Solicitamos o prontuário médico, que será juntado ao laudo da perícia e as oitivas do envolvido e possíveis testemunhas", salienta Alirio.

DEFESA
O advogado Rodrigo Batista, que defende o militar, salienta que não há provas de que seu cliente estava bêbado, haja vista que o médico perito não constatou a embriaguez. Sobre o fato de Heleno ter modificado a cena do acidente, ele explica que o policial, a princípio, não tinha percebido a gravidade do caso. Além disso, enfatiza que Heleno não fugiu do local.
"Quando percebeu, fez o retorno e voltou ao local, onde ficou até a chegada dos bombeiros e da polícia. De fato, ele avançou a preferencial, porque não viu a moto vindo, mas ele não estava bêbado. Ele também está muito abalado e lamenta muito o ocorrido. Ele deixa claro que está à disposição das autoridades", afirma.

POLÍCIA MILITAR
O 3º Batalhão da Polícia Militar (BPM), em Vilhena, informou que na data do acidente, Heleno estava afastado em virtude de tratamento médico. Em janeiro, o militar entrou em férias e retornou ao trabalho em fevereiro.
“Nós abrimos uma sindicância para ver se tem residual na seara administrativa; se ele cometeu alguma transgressão disciplinar naquela conduta. A sindicância depende da conclusão do inquérito da Polícia Civil e tem prazo de conclusão de 30 dias, podendo ser prorrogado por igual período”, explica o coronel Rildo José Flores, comandante do 3º BPM.

NEGLIGÊNCIA MÉDICA
Familiares acreditam que houve negligência médica durante o atendimento da paciente no Hospital Regional do município. Segundo Sandra, a filha deu entrada na unidade e passou por exames de raio-x e ultrassonografia. As primeiras análises mostraram que a estudante tinha sofrido uma fratura e que o bebê estava vivo.

"Até então, para o médico obstetra, minha filha estava estável. Minha filha estava consciente e conversando. Ligaram para o ortopedista de plantão, mas ele não veio. Depois disso, deixaram minha filha no quarto, onde ela gritou de dor a noite toda e nenhum médico veio vê-la; ela sofreu muito", lembra.

A mãe relata que por volta das 5h, do dia 30 de dezembro, chamou a equipe médica. A estudante foi levada ao centro cirúrgico, para a retirada do bebê que havia morrido. Em seguida, a jovem foi encaminhada para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI), onde morreu na mesma manhã.

"Ela gritava: ‘Ai meu Deus. Mãe cuida do meu bebê’. Quando minha filha estava morrendo é que resolveram fazer alguma coisa. Primeiro falaram que o bebê estava bem; depois que o bebê tinha morrido. Daí levaram para tirar a criança e vieram com a notícia de que tinha tirado também o útero, metade do fígado e o baço. Para quem estava estável, é difícil de entender essa evolução", salienta.

O pai diz que pedia para a filha segurar sua mão. "Ela queria apertar a minha mão, mas não tinha forças. Disseram que ela teve hemorragia interna. Mas eles não perceberam esta hemorragia quando ela chegou ao hospital? Esperaram ela chegar às últimas para fazer alguma coisa. Aí não deu mais tempo", lamenta José augusto.

HOSPITAL REGIONAL
Procurada, a direção do Hospital Regional encaminhou o G1 para falar com o médico que atendeu a paciente. O obstetra Celso Eduardo Machado explica que Fernanda deu entrada no pronto socorro, onde foi feito exame de raio-x, e depois levada  para a obstetrícia, onde ela deu entrada com sinais vitais normais.

A paciente estava estável, falando e o feto estava vivo. Foi constatado que ela havia sofrido uma fratura na bacia, e Celso afirma que solicitou a avaliação do ortopedista. Contudo, ele não soube dizer se o especialista chegou a atender a gestante. 

Conforme o médico, depois de 1h30 da grávida ter entrado na obstetrícia, o coração do bebê foi ouvido novamente, e percebeu-se que os batimentos estavam diminuídos.  A gestante foi encaminhada para ultrassonografia, que apontou que a criança estava morta.

"Não podia abrir ela [Fernanda] meia-noite para tirar o bebê em óbito, com ela com uma fratura na bacia", salienta o profissional.

A paciente estava estável e foi levada para internação. Depois disso, o médico diz que só foi chamado às 4h50, quando foi informado que a paciente estava mal. Na avaliação, Fernanda estava instável e foi levada para o pronto socorro, onde passou por reanimação.

Uma nova ultrassonografia apontou que havia líquido em cavidade; ela estava com sangue na barriga por causa da ruptura do baço. "O baço é um órgão que rompe em dois tempos. Ou ele rompe numa pancada de uma vez, ou ele estoura, cria uma cápsula nele e depois, conforme vai aumentando o sangramento, rompe aquela cápsula. Por isso que na primeira ultrassom não viu o líquido. Rompeu depois da primeira ultrassom", detalha. 

Celso enfatiza que, caso a primeira ultrassonografia tivesse mostrado o líquido, a cirurgia teria sido realizada de imediato.  "Além disso, a fratura de bacia também levou a ter sangramento, e não vê no ultrassom esse sangramento, só vê a fratura de bacia", explica.

No procedimento foram retirados o bebê, o baço, o útero e suturado uma pequena parte do fígado. "O útero foi retirado porque houve atonia uterina. O útero não contraiu depois do parto e não parava de sangrar", relata.
A jovem morreu por hemorragia interna, e Celso garante que realizou todos os procedimentos indispensáveis no caso.

"Eu pedi avaliação do cirurgião, do ortopedista, e fiz todos os procedimentos obstétricos necessários. Em seis anos que trabalho aqui, nunca perdi uma gestante e nunca perdi nenhum bebê, e agora perdi os dois de uma vez só", lamenta.

O portal G1 procurou o ortopedista que estava de plantão na noite do acidente, mas foi informado que ele está em férias.



Fonte: G1 Vilhena e Cone Sul
Autor: Eliete Marques


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