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31/03/2017 09:29:08
      
Relembre: entrevista revela personalidade de ex-prefeito vilhenense que morreu hoje

Heitor Batista fez comparações entre Melki e Rover

Em 2009, o hoje superintende de Turismo de Rondônia, Júlio Olivar, que era, na época, editor do jornal FOLHA DO SUL, entrevistou o ex-prefeito Heitor Tinti Batista, morto hoje, aos 72 anos, na cidade de Londrina (PR).

Ao produzir o material editorial, Olivar traçou um perfil do velho cacique e o “incomodou” com perguntas duras. Tinti falou de sua atuação como prefeito e analisou seus antecessores no cargo.

Confira abaixo, o texto resgatado nos arquivos do site e republicado agora na íntegra:


HEITOR TINTI: O HOMEM DE UM PARTIDO SÓ 


À primeira vista, Heitor Tinti Batista é retraído, comedido em demasia – lento, para ser exato! Aparências, nada mais! O ex-prefeito (97/2000) e hoje secretário municipal de Planejamento produziu, neste ano, mais de 80 projetos e apesar dos modos reservados, transita como poucos vilhenenses entre os políticos mais influentes do estado. Está filiado há 39 anos ao PMDB, o partido que combateu a Ditadura Militar e que hoje é o que tem mais caciques regionais em todo o país.  


Considerado uma das “mentes pensantes” da administração do prefeito Zé Rover (PP), Heitor despista sobre tal “fama”. Prefere dizer que considera o atual mandatário “combativo” e possuidor de “grande inteligência emocional”.


Tinti foi menino pobre, filho de motorista, e começou a trabalhar aos 9 anos. Mas nunca deixou de estudar. Concluiu as faculdades de administração  e economia, com  especialização e pós graduação nas áreas de análise empresarial, planejamento estratégico e administração de marketing. Morador em Vilhena desde 1982, este paulista de Alfredo Marcondes viveu boa parte de sua vida entre Curitiba e Cascavel (PR), tem 65 anos e está casado há 37 anos com a professora Maria de Lourdes, com quem tem duas filhas: Delayne e Juliene, além de um casal de netos, os gêmeos Bruno e Ana Clara.


Na entrevista a seguir, Heitor fala de sua trajetória e analisa todos os prefeitos de Vilhena, desde a emancipação da cidade.

 

FOLHA: Como se deu sua entrada na política e a proximidade com o Melki Donadon?

 HEITOR:  No anos 70 o país vivia o auge da ditadura. Nesta época, eu cursava economia na PUC em Curitiba. O autoritarismo que imperava no poder constituído naquele momento foi o grande motivador para que eu ingressasse em um partido político. Foi ali que nasceu a minha filiação no antigo MDB, atual PMDB.  A entrada na política para a disputa e exercício de cargo eletivo  efetivamente se deu em 1996 participando da coligação PSC/ PMDB com o Melki Donadon candidato a prefeito e eu vice.  A aproximação ocorreu por composição política onde a cúpula do PMDB, capitaneado pelo ex-senador Amir Lando e um grupo de companheiros de Vilhena definiram o meu nome para participar naquela composição como vice -prefeito.

 

FOLHA: E hoje, como é sua relação com o Melki?

HEITOR: Normal. Sem pendência.

 

FOLHA: Como foi fazer campanha para o Zé Rover alegando que a classe empresarial precisava se unir em torno de uma candidatura que se contrapusesse ao Melki, que era do seu partido – o PMDB –  e que o senhor apoiou em 1996?

 HEITOR: O mundo gira e cada momento é único na política. O prefeito Rover veio para cobrir os pontos onde as administrações passadas deixaram lacunas e não como crítico de tudo e de todos.

 

FOLHA: Como é ser o planejador e tido como um de mentores intelectuais de Rover?

HEITOR: - É um privilégio muito grande e muita responsabilidade. Rover tem  uma capacidade de trabalho incomum, é combativo e a sua inteligência emocional elevada reflete em grande poder  de  articulação e muita rapidez nas decisões . Este perfil torna o trabalho do planejamento desafiador e atraente. Não tenho dúvidas que a passagem de Rover pelo executivo será  marcada por várias e importantes realizações.

 

FOLHA: Qual é mais competente: Rover ou Melki?

HEITOR: Não posso correr o risco de ser injusto. Ampliando a pergunta para um horizonte de tempo e prefeitos o que vejo é o seguinte:  Vitório Abrão, por exemplo, foi um prefeito que enxergava   no mínimo uns 50 anos à frente do seu tempo. Quem não se lembra do projeto cidade hortifrutigranjeira onde Vitório nos idos dos anos 80 já tinha proposta concreta para o agronegócio,  que resolveria toda a problemática do abastecimento nos estados de Rondônia, Acre e Amazonas? Lourivaldo Ruttmann elevou Vilhena à categoria  de cidade mais limpa e bem cuidada da região Norte. Elcio Rossi construiu muitas escolas, postos de saúde e outras obras e foi um prefeito de reconhecida idoneidade. Ademar Suckel foi um xerifão do dinheiro público, sempre preocupado em  aplicar bem os recursos do município, discutindo centavo por centavo onde gastar. Melki, um aguerrido na busca de recursos, passando até mesmo finais de ano de plantão em Brasília, além do seu reconhecido dinamismo. Marlon Donadon, com sua postura diplomática e juventude, trouxe a leveza, a jovialidade e a alegria para a gestão do município. Mas, o Rover é sem dúvida nenhuma é a minha maior aposta.

 

FOLHA: O senhor ambiciona voltar a se candidatar?

HEITOR: Sem dúvida, não. 
 
FOLHA:
 Qual o grande desafio de um administrador público contemporâneo? 
HEITOR: O poder de articulação política, a ética e a competência nos gastos públicos associados à consciência  ambiental e a capacidade de promover mudanças para diminuir as desigualdades e aumentar as oportunidades aos cidadãos. Na política, auxiliar as pessoas a realizar alguns de seus sonhos é algo sublime e situa-se acima de tudo.

 
FOLHA:  Existem muitas diferenças entre o período que o senhor foi prefeito, já no milênio passado, e os dias de hoje? Como era e como ficou Vilhena de lá pra cá?

HEITOR: Do jeito que você coloca dá a impressão que fui prefeito há  100 anos. Na verdade são menos de 9 anos.  Não tem muita diferença entre o presente e aquele período, os problemas basicamente são os mesmos. Alguns ampliados como o caso do meio ambiente, o crescimento desordenado e o aumento do desemprego. É claro não se deve atribuir tudo as administrações passadas ou atual, há que existem fatores externos que são incontroláveis.

 
FOLHA: Qual o símbolo da sua passagem pelo poder? O que o senhor elegeria como sendo um marco da sua administração?

HEITOR: Um eterno idealista desapegado do poder. Considero minha passagem pelo município como uma missão que procurei cumprir com fidelidade aos meus princípios e, como todo ser humano, com erros e acertos. Procurei sempre honrar e elevar a imagem do município e tive todas as contas aprovadas, inclusive as do ano 2000 quando começou a vigorar a lei de responsabilidade fiscal. Creio, entretanto, que foi marcante naquele período a abertura da administração e a aproximação com a comunidade.  Vilhena foi o primeiro município na região Norte  a adotar o orçamento participativo com ganhos significativos na gestão do dinheiro público .

 

FOLHA: Recentemente, o senhor foi muito criticado por ter proposto a lei que retém 1% dos fornecedores do município.

HEITOR: Os recursos são destinados exclusivamente para a compra de materiais, obras e serviços de paisagismo e urbanismo. Quem vende R$ 10 mil para o município, por exemplo, contribui com R$ 100 reais. Todo o recurso arrecadado será usado na compra de mais lixeiras,  melhorias do nosso cemitério e em outros  projetos como  arborização e tudo mais ligado a paisagismo ou urbanismo. Este projeto nada mais é do que um embrião da lei das parcerias público-privadas, a chamada PPPs , amplamente utilizada com sucesso pelo Governo Federal, por vários estados e municípios inclusive do Estado de Rondônia.



Fonte: Folha do Sul
Autor: Da redação


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