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Sábado, 18 de Novembro de 2017

CLARETIANO
LEO





17/04/2017 10:52:35
      
Cronista matogrossense revela curiosidades da partida de futebol que inaugurou estádio em Vilhena

Escritor usa bom humor para relatar confronto entre Operário e seleção local


O PÉ-DE-VALSA OPERARIANO E A BICHONA

*Nelson Severino

Para inaugurar seu bonito estádio municipal, no distante dezembro de 1983, a prefeitura de Vilhena, em Rondônia, convidou o Operário de Mato Grosso para enfrentar a seleção amadora da cidade, reforçada de alguns craques de outros municípios.

 A delegação operariana deixou Várzea Grande no sábado bem cedo em ônibus especial, levando uns poucos profissionais – Deco, Odenir, Dito Siqueira, Bife, Ivanildo, Laércio, Mão de Onça – juvenis e juniores e até alguns torcedores, como convidados do clube.

De Cuiabá a Vilhena são 750 quilômetros, naquela época sem asfalto, o que aumentava o desgaste físico de quem viajava um trecho desses de uma só pancada. Mas a turma chegou inteirinha a Vilhena, apesar de muito cansada.

Como aniversariante daquele domingo, a bonita Vilhena, a segunda principal cidade de Rondônia, estava engalanada. A torcida lotou o estádio, confiante numa bonita vitória no amistoso para cobrir de glórias a semana de festas da sede do município.

Iniciado o jogo, Bife começou a mandar bolas para as redes da seleção. Fez 4 gols no primeiro tempo, com Deco completando o placar de 5x0 da 1ª fase.

Com o fim do 1° tempo, os jogadores foram para o vestiário. Enquanto descansavam, Malaquias, que estava como técnico do Operário, comunicou a Bife que ele não voltaria para o campo na 2ª etapa.

Malaquias atendia a um pedido dos dirigentes da seleção que temiam que com Bife em campo fatalmente o selecionado sofreria uma derrota ainda mais humilhante. Bife não voltou, a seleção deu uma melhorada, mas só fez um gol. O Operário, nem um mais.

Depois do jogo, um irmão do massagista Geraldo e que tinha um grande posto de combustíveis em Vilhena, pediu a Bife a camisa com a qual ele tinha jogado, como recordação.

Bife entrou de sola: "Não posso dar, porque desinteira o jogo de camisas e vou ter que dar outro completo para o Operário..."

– E quanto custa o jogo de camisas? – perguntou o irmão de Geraldo.

– Acho que com uns 200 “contos” dá para comprar – chutou alto Bife.

O torcedor não teve dúvidas: foi ao caixa do posto, pegou o dinheiro e entregou a Bife. Negócio fechado na hora.

A noite, a delegação tricolor foi jantar no principal clube social da cidade, onde se realizava a festa de aniversário de Vilhena.

Logo que a delegação chegou a festa, Bife percebeu que a cerveja ia ser por conta de quem pedisse... de cortesia só a comida! Antes da cerveja ser aberta na mesa, ficha do pagamento na mão do garçom. 

Combinaram, então, Bife, Jorge Macedo, Caruso e Laércio de se sentarem na mesma mesa e de cada um pagar três cervejas. Dos duzentão que havia recebido pela camisa, Bife reservou 50 para farrear e escondeu os outros Cr$ 150,00.

Um pouco distante deles, sentaram-se vários jogadores, juntos com João Muleta, um fanático torcedor operariano que tinha ido a Vilhena como convidado do clube.

Fim do jantar, começou o bailão. Não demorou, um jogador operariano, cujo nome não vem ao caso, agarrou uma bela loura e mandou ver. A cada música, aumentava a intimidade entre o romântico par, já dançando de rosto coladinho.

Não demorou e da animada mesa comandada por João Muleta não ficou ninguém: a numerosa turma havia dado um calote de duas caixas de cerveja no garçom e vazado. O garçom chegou à mesa em que estavam Bife, Laércio, Caruso e Jorge Macedo e perguntou se os caloteiros eram jogadores do Operário. A resposta foi um não coletivo.

A noite avançava, o baile cada vez mais animado e o casal formado pelo jogador operariano e a loira fazendo um sucessão entre os dançarinos. 

Lá pelas tantas, um garçom dá a dica para o pessoal da mesa de Bife: "Aquela loira que está dançando com o companheiro de vocês é uma tremenda bichona..."

– Vou ficar até o fim para ver no que vai dar – disse Bife, apoiado pelos companheiros de mesa.

Quando o baile ia chegando ao fim, Bife encostou disfarçadamente no companheiro de clube, no meio do salão, e lhe confidenciou: "Essa loira é uma bichona!..." 

O jogador pé-de-valsa operariano só acreditou quando, à saída do clube, deu uma pegada na parte de baixo da companheira de dança e sentiu o volume da mala da bailarina... parece até que a "louraça" ia viajar, tal o tamanho da malona!

Aí o boleiro ficou furioso e queria porque queria dar umas porradas na bichona. Foi um trabalhão segurar o pé-de-valsa, enquanto o travesti caía no mundo num pique digno de campeão mundial de 100 metros rasos.

Bife, Caruso, Jorge Macedo e Laércio que presenciaram a cena no fim de noite quase morreram de tanto rir...

Nelson Severino - Várzea Grande - MT, Brasil. Sou mineiro de Guaranésia, onde nasci em 1938 e ainda criança fui morar no Paraná. Em 1955, fui com a família morar em Londrina, onde terminei meus estudos, formando-me em Educação Física em 1974. Em julho de 1976, com a morte de minha mãe, mudei-me para Cuiabá, depois de trabalhar 17 anos e meio na Folha de Londrina. Em Cuiabá, trabalhei até o final de 1976 como correspondente do jornal O Globo, em 1977 ingressei no Jornal do Brasil, que deixei no início de 78 quando fui para Barra do Garças trabalhar na Coopercana. De volta a Cuiabá no mesmo ano, trabalhei no Jornal do Dia, passei pelo Diário de Cuiabá, fui editor da WM Comunicação e em 84 mudei-me para Porto Velho-RO, onde além de voltar a ser correspondente de O Globo, militei no Estadão de Rondônia e Radiobrás. Retornei a Cuiabá 4 anos depois, reassumindo a correspondência de O Globo, passei pela A Gazeta duas vezes e fui editor de suplementos e editor especial da Folha do Estado. Meu último emprego, de carteira assinada, foi em 2010 na Assessoria da Imprensa da OAB.



Fonte: Folclore do Futebol
Autor: Nelson Severino


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