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CLARETIANO
LEO





25/08/2017 15:09:22
      
Famílias continuam ocupando casas embargadas e pedem solução às autoridades de Cerejeiras

FOLHA DO SUL ONLINE ouviu a história dos moradores sem moradia

Cerca de 10 famílias vivem um drama social em Cerejeiras. Sem uma residência para morar, elas ocuparam uma área onde existem 40 residências populares que estavam sendo construídas pelo governo federal e que foram embargadas por uma decisão judicial. 

ENTENDA O CASO
Em 2013, o governo federal, através do programa “Minha Casa, Minha Vida”, começou a construção das residências num terreno cedido pela Prefeitura de Cerejeiras.

Logo após o início da construção, um laticínio, vizinho das casas, entrou na Justiça alegando que as residências iriam, através das fossas, contaminar o lençol freático e prejudicar a indústria.

A Justiça, ao receber o pedido do laticínio, acatou o requerimento e embargou a obra. Algumas casas já tinham começado a ser erguidas e ficaram inacabadas.

Quando foi embargada a construção, já havia sido feita a inscrição das famílias que iriam participar do sorteio das moradias.

O prefeito Airton Gomes (PP), na época em que o empreendimento foi embargado, tentou encontrar uma solução. Mas, com a decisão judicial, o  projeto foi travado para financiamento.

No dia 19 de janeiro deste ano, algumas famílias ocuparam as casas que começaram a ser construídas e estavam inacabadas. Mulheres e crianças estão entre os ocupantes. Ao todo, segundo informações da liderança do movimento, dez famílias estão morando provisoriamente nos imóveis.

As famílias ocupam as residências inconclusas. O pátio, que antes estava um matagal, foi limpado pelos moradores ocupantes. As residências ocupadas estão limpas e arejadas, algumas com móveis dentro e não é raro sentir o cheiro de comida sendo preparada .

ORDEM DE DESPEJO
Após ocupar as residências, a Justiça determinou o despejo das famílias há dois meses. Mas o advogado dos moradores ocupantes, um defensor público, recorreu da decisão. A Justiça ainda não se manifestou após a defesa das famílias decorrer.

ARGUMENTO DAS FAMÍLIAS
Nesta semana, o FOLHA DO SUL ONLINE visitou as famílias que ocupam as residências inconclusas do antigo projeto habitacional de Cerejeiras. Dois homens conversaram com a reportagem sobre o assunto e apresentaram as razões porque acreditam que a decisão judicial de embargar a construção das residências é injusta.

O pintor Rony Soares, que está desempregado, afirma que veio para morar numa das casas porque não tinha onde ficar. “Eu estava morando de aluguel. Mas a cidade ficou muito ruim de serviço, não consegui mais pagar aluguel e vim pra cá”, disse o pintor, que mora com a esposa e crianças pequenas numa das casinhas.

Já o servente de pedreiro José Carlos Rocha, também desempregado, explica porque acredita que a Justiça está sendo injusta com as famílias do residencial. “Acho que essas casas não contaminam o solo, pois o sistema de saneamento passa logo aí, a 200 metros, e poderia interligar essas residências ao sistema”, disse.

Rocha também pede uma providência das autoridades. “Queremos pelo menos que instalem energia elétrica aqui. Queremos que um deputado ou um senador tenha pena da gente e defenda a nossa causa”, afirmou.

SEM CULPADOS
Segundo apurou o FOLHA DO SUL ONLINE, o caso do embargo das residências populares em Cerejeiras parece do tipo “sem culpados”, uma vez que cada instituição está agindo com base em laudos técnicos que se mostram justos. A prefeitura, que é apenas o “maestro” do projeto, tem de obedecer a Justiça. A Justiça, pela decisão que apresentou, entende que a causa do laticínio é justa. O laticínio, por sua vez, tem medo de uma contaminação no solo causar prejuízos incalculáveis à indústria. As famílias também não são as culpadas na história, uma vez que buscam um dos direitos mais sagrados da humanidade: a moradia. É um caso, portanto, que não requer uma solução simplista.



Fonte: Folha do Sul
Autor: Rildo Costa


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