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Sexta-Feira, 27 de Abril de 2018

Claretiano
Rondocap

27/12/2017 18:30:32
      
Ex-treinador da seleção brasileira é um dos compradores de 12 fazendas leiloadas em cidade vizinha

Área foi arrematada por R$ 67 milhões, deságio de 67% em relação ao valor de avaliação

Com 53 mil hectares, 12 fazendas da massa falida da Boi Gordo, em Comodoro, cidade do Mato Grosso a 110 km de Vilhena, foram adquiridas por controladores do grupo Petrópolis, do empresário Walter Faria, em parceria com o ex-técnico da seleção brasileira, Vanderlei Luxemburgo. Os dois começaram como concorrentes no leilão, mas no meio do processo decidiram se juntar e formar um consórcio único, que sagrou-se vencedor.

A área foi arrematada por R$ 67 milhões, deságio de 67% em relação ao valor de avaliação das terras. O valor inicial fixado foi de R$ 18 milhões.

Quando teve sua falência decretada em 2004, a Boi Gordo deixou um passivo de R$ 4,2 bilhões e mais de 30 mil investidores lesados. A empresa, do empresário Paulo Roberto de Andrade, prometia ganhos extraordinários a quem investisse em bezerros e na "engorda do gado", em um esquema que depois se revelou uma pirâmide financeira: os maiores lucros não vinham da engorda do boi, mas sim da adesão de novos integrantes no negócio.

Desde a decretação da falência, foram vendidas 60 fazendas distribuídas por 220 mil hectares e levantados R$ 530 milhões para pagamento dos credores. Até agora, foram pagos todos os credores trabalhistas, que tinham direito a um total de R$ 75 milhões.

Eronides Santos, da Promotoria de Justiça de Falência do Ministério Público de São Paulo, diz que provavelmente o caso Boi Gordo vai ser o primeiro de pirâmide financeira no Brasil em que os investidores serão ressarcidos em pelo menos parte do dinheiro aplicado.

Segundo Santos, a expectativa é que cada um dos 30 mil investidores receba em torno de 10% do que aplicou. Ele afirmou que os pagamentos devem começar na metade do ano que vem, quando também deve ser quitado o passivo tributário da empresa.

Restam poucos ativos da massa falida a serem leiloados. No entanto, o promotor explica que estão sendo levantados outros bens que estavam nas mãos do Grupo Golin, parceiro comercial da Boi Gordo, que deveriam constar entre os ativos da massa falida.

"Após uma investigação, descobrimos que o grupo [Golin] fez negócio com a Boi Gordo e desapareceu com esses ativos anos atrás. São principalmente maquinários e material genético", afirma Santos.

A avaliação desses ativos que teriam sido desviados pelo Grupo Golin ainda não foi concluída, mas Santos estima que eles somem um valor em torno de R$ 500 milhões. O Tribunal de Justiça de São Paulo já deu ganho de causa à administração da falência e um eventual recurso às instâncias superiores não tem efeito suspensivo.

"Vamos tentar um execução provisória, ou seja, dar prosseguimento a vendas dos bens desviados", afirmou Gustavo Sauer, administrador judicial da falência. Ele diz que o caso da Boi Gordo também deve ser o primeiro de uma empresa rural a ressarcir seus credores. Antes, Gallus e Arroba's também tiveram a falência decretada, mas não conseguiram pagar todos.

Sauer avalia como "bem-sucedido" o último leilão, apesar do deságio final, e diz que a união de concorrentes ao longo do processo de competição pelos bens não é irregular. "Claro que para nós o ideal é que eles ficassem disputando as terras", afirma. Foram dados 43 lances em quase uma hora de leilão, que foi realizado pela Lut Leilões, de São Paulo.



Fonte: Reprodução
Autor: Valor


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