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Quinta-Feira, 26 de Abril de 2018

Claretiano
Rondocap

05/01/2018 09:17:29
      
No Facebook, jornalista relembra crime bárbaro que “incendiou” a cidade de Colorado do Oeste em 1987

Autor do texto-reportagem hoje mora na Paraíba

Usando seu perfil no Facebook, o jornalista Wendell Oliveira relembrou um crime que literalmente incendiou a cidade de Colorado do Oeste mais de 30 anos atrás: o assassinato de uma garota que, antes de morrer, teria sido violentada pelo algoz.

Acompanhando sua narrativa, Wendell postou uma foto da Delegacia de Polícia da Cidade chamuscada, resultado da revolta popular contra o assassino, que só não foi linchado porque as autoridades reforçaram a segurança no local onde ele estava preso.

Hoje morando na Paraíba, onde é assessor de imprensa de uma ONG, o comunicador autorizou, por telefone, a reprodução do material, que conta o dramático episódio.

Leia abaixo, na íntegra, o relato do histórico caso policial:

Depois de ver nesta pagina uma foto que lembra o dia que ficou na história de Colorado, resolvi juntar os comentários, que estavam soltos e não deixava claro o que aconteceu, resolvi relatar o episódio do meu ponto de vista: 

UM DIA DE CÃO EM COLORADO
Não me recordo de data, mas o ano era de 1987. Uma tarde de um dia da semana, estávamos saindo da Escola Paulo de Assis Ribeiro, eu e colegas de sala, quando através do boca a boca soubemos que a população estava revoltada com o desfecho de um crime bárbaro.

O CRIME
Alguns dias antes, uma moça de família conhecida (naquele tempo todos se conheciam em Colorado) não retornou à sua casa, após ter saído de uma peça teatral (tínhamos um grupo de teatro, muito bom por sinal). A família procurou a polícia e os dias foram passando, o assunto rolava de boca em boca. As más línguas diziam que a moça tinha fugido (ainda existia o fugir, pois os pais não permitiam o namoro). Enfim, a polícia não descobria nada. Mas alguns dias após o desaparecimento, algumas crianças brincavam de bola no terreno onde hoje é o Ginásio de Esportes, local também onde funcionou a feira pública e naquele momento era ocupado pelo parque de diversão que havia se instalado na cidade, quando a bola foi para um local coberto por matagal e, em uma vala, o garoto viu um corpo, que naquele momento já se encontrava em estado de decomposição.

Não demorou muito para reconhecerem o corpo, mas o crime ainda não tinha sido solucionado. Estava com cheiro muito forte de clorofórmio (anestésico também usado para conservação de corpos), sinais de abuso sexual e prática de necrofilia (Necrofilia (do grego νεκρός [nekrós], "morto", "cadáver", e φιλία [filía], "amor") é uma parafilia caracterizada pela excitação sexualdecorrente da visão ou do contato com um cadáver) FONTE: Winkpédia. 

Mas o crime só foi solucionado após uma colega da vítima ter reconhecido, no parque de diversão, o anel da amiga no dedo do algoz. A polícia, diante do depoimento da amiga, prendeu o suspeito que confirmou a autoria do crime e foi levado à delegacia de policia civil.

A REVOLTA
Um dia marcante para todos. A sociedade de uma cidade pequena nunca tinha presenciado tamanha selvageria e todos queriam fazer justiça com as próprias mãos, aquela comunidade queria deixar registrado na história que não tolerava esse tipo de crime. Todos foram em direção à Delegacia de Policia que tinha sido reformada há pouco tempo e lá chegando foram barrados pela policia que tinha ordens de não deixar o povo invadir a delegacia. E o povo gritava: “Queremos o estuprador!”, vale ressaltar que no front estavam as mulheres. Mais de uma centena de pessoas pedindo por justiça. A polícia, não sei se por inexperiência ou autoritarismo, alvejou cidadãos de bem, alguns apenas curiosos que estavam de longe observando. Outro, se não me falha a memória, trabalhava na obra da Igreja Assembléia de Deus. Também não me recordo o número de mortos e feridos, creio que não passaram de dois mortos. Após esse incidente, ai sim, o prédio foi alvejado de balas e jogaram alguns coquetéis molotov. 
Como toda a polícia correu para a delegacia para garantir a integridade física de um monstro, revoltosos resolveram barbarizar e foram ao Parque de diversão, já estava anoitecendo quando o fogo foi percebido e nova multidão se formou para assistir o espetáculo, tudo foi queimado. 

O dono do parque de diversão tentou fugir, mas foi perseguido por populares e teve seu carro tombado e incendiado em frente a Auto elétrica(hoje do Bira) , na AV. Paulo de Assis Ribeiro. Não podemos afirmar nada, só que a SEMEC (hoje Praça ao lado da Escola PAR) começou a pegar fogo, o prédio onde também funcionava o grupo de teatro era de madeira e não demorou muito a ficar completamente destruído, professores e servidores tentavam salvar alguma coisa, lembro-me de minha mãe e da Professora Sebastiana, mãe do Marcelo, da Miriam, Mabel e Marcela, mas tantos outros servidores estavam lá na tentativa de salvar alguma coisa.

A policia havia pedido reforços em Vilhena, mas a população estava disposta a mostrar sua indignação, agora não era só o crime bárbaro, mas também o desprezo à vida de homens de bens que foram sacrificados para garantir a integridade física de um maniaco. Foram feitas barricadas nas estradas que ligavam Vilhena e Cerejeiras, a noite esfumaçada era um cenário de guerra. Lembro-me que minha família estava andando para ver os estragos e quando nos aproximamos da delegacia fomos abordados e orientados a mudar o trajeto, não podíamos passar nem perto da delegacia. 

Para finalizar, após esses acontecimentos só ficaram histórias de que houve resistência às tropas que vinham de Vilhena, mas que apenas dispararam um tiro de 12 e evadiram do local. No dia seguinte a fumaça cobria toda a cidade, a paisagem estava cinzenta, um cenário desolador, a cidade parada, a policia a postos e a noticia de que mesmo antes do incêndio a SEMEC, o maníaco tinha sido transferido para Ji-Paraná. Dias depois veio a noticia de que o mesmo foi brutalmente assassinado com todos os requintes que um maniaco sexual tem direito na cadeia.

Esse é o meu relato, sem muita precisão de datas e nomes, mas o que vi, escutei e vivenciei no dia em que Colorado pegou fogo. Se alguém tiver algo a acrescentar, discordar ou opinar, fique a vontade.

OBS: Pesquisando as publicações descobri que o Grupo de Teatro se chamava “Águia Dourada! E tinha os seguintes integrantes, Manoel (ou Emanoel, hoje historiador), José Dias Moreira, Fábio, Josué Vitor e Dayse (Bazar Santista)

Wendell Oliveira‎ - DRT 1446



Fonte: Foto: reprodução
Autor: Da redação


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