Apenas quatro agentes por plantão cuidam de quase 270 presos
Como já havia sido anunciado pelo Sindicato dos Agentes Penitenciários e Sócios Educadores de Rondônia (SINGEPERON) há alguns dias, na manhã de ontem, quinta-feira 22, os profissionais do segmento no Estado iniciaram o movimento “Operação Legalidade”, que deve durar cinco dias e tem como fim pressionar o governo por melhorias nas condições de trabalho e segurança da categoria.
Vilhena não foi diferente. Alguns agentes se reuniram na manhã desta sexta-feira, 23, em frente a Cadeia Provisória, no centro da cidade. O representante do sindicato da categoria na cidade falou com a reportagem da FOLHA DO SUL ONLINE, e revelou que o movimento, além de pressionar o governo, quer denunciar as condições precárias no sistema prisional do Estado, o que coloca em risco a vida dos agentes. Gildo Aguiar denuncia que, em Vilhena, entre outras coisas, armamentos velhos e sem condições de uso, munições vencidas, e placa do colete vencido comprometem o trabalho da classe. “Sem contar a insuficiência de pessoal; hoje são apenas quatro plantonistas no Centro de Ressocialização para tomar conta de 265 presos”, disse.
O ideal, de acordo com o sindicalista, é que cada plantão tivesse no mínimo 15 agentes. “Se precisar escoltar algum preso até o hospital, ficam apenas dois agentes no presídio”, disse Agildo e continuou: “Isso vai de encontro a norma que diz que para escoltar um preso é necessário um motoristas e dois agentes no trajeto. Ou seja, cada vez que é necessário fazer uma escolta, fragiliza o procedimento e deixar ainda mais vulnerável a segurança do presídio”, pontuou.
Vale lembrar que desde que foi inaugurado, há três anos, com status de prisão de segurança máxima, o presídio vilhenense continua sem uma linha telefônica que permita uma comunicação com a cidade, haja vista que unidade prisional fica afastada da área urbana. Os agentes também alertam para a falta de iluminação no complexo pernitenciário. Principalmente no exterior.
Em Vilhena são pouco mais de 60 agentes penitenciários e sócio-educadores divididos entre o presídio, a cadeia provisória, a Casa da Cidadania, que recebe menores infratores, e a colônia penal e cadeia feminina.
“O sistema está abandonado”, disse um dos agentes, enquanto mostrava as placas do colete que estão vencidas e que não deveriam mais estar sendo usados. Revelou ainda o Centro de Ressocialização conta com apenas dois coletes balísticos. “Sem contar que as armas estão sem manutenção e as munições não letais (anti-motim), além da quantidade que é irrisória, estão vencidas”, afirmou.