Esquema estava sendo investigado há vários meses
Desencadeada no dia 10 de julho a “Operação Stigma”, devassa realizada pela Polícia Federal, Ministério Púbico Federal e Justiça Federal sobre a administração do prefeito Zé Rover (PP) em Vilhena já rendeu várias prisões, um desdobramento em âmbito do Judiciário estadual, CPI na Câmara de Vereadores e agora tem seu primeiro inquérito concluído. Justamente aquele que tornou visível a ação dos órgãos federais, que já investigavam denúncias de corrupção na administração vilhenense, que envolve a empresa Tend Tudo Assessórios, o alvo da batida policial dada no início de julho. Ao todo, nove pessoas foram indiciadas, sendo que cinco delas estão detidas através de mandatos de prisão preventiva.
Estão implicados no inquérito, já encaminhado a Justiça Federal pelo procurador do MPF na cidade, Daniel de Azevedo Lôbo, as seguintes pessoas: Gustavo Valmórbida, Bruno Pietrobon, Carlos Eduardo Pietrobon, Vivaldo Carneiro, Nicolau Junior de Souza, Clair Oliveira da Cunha, Armando Ximenes Lopes, Gilmar Gonçalves e Jair José de Souza. Destes, apenas Carlos Pietrobon e Jair José não faziam parte da administração municipal.
A participação de cada um deles no esquema de cobrança de propina que estava estabelecido há três anos com a empresa Tend Tudo pode ser resumida da seguinte forma:
Gustavo Valmórbida (ex-secretário governamental) – Por enquanto é tido como o principal operador da organização paralela instalada na administração. Primo e principal assessor do prefeito Rover, era o segundo em comando no município. Está detido sob acusação de coação a testemunha.
Bruno Pietrobon (ex-chefe de Gabinete) – Fazia parte do “núcleo duro” da gestão Rover, sendo uma das pessoas mais próximas ao prefeito. No início da primeira administração chegou a ser preso sob acusação de fraude na Secretaria Municipal de Terras. Também está detido por coação a testemunha.
Carlos Eduardo Chaves Pietrobon (advogado) – Pai de Bruno e espécie de eminência parda da administração, em seu escritório funcionava algo semelhante a um gabinete paralelo do município, sendo também usado para integrantes do primeiro escalão despachar expediente das secretarias. É outro que está atrás das grades, também sob acusação de pressão a testemunhas.
Vivaldo Carneiro Gomes (ex-secretário de Saúde) – Era de sua Pasta que o esquema junto a Tend Tudo funcionava, através da emissão de processos para pagamento de serviços ou peças que não existiam. Foi preso por ter sido acusado forjar documentos e pressionar servidores para tentar encobrir o esquema.
Clair Oliveira da Cunha (secretário-adjunto de Saúde) – Um dos poucos acusados que ainda está livre e na administração Rover. É suspeito de falsificar documentos visando livrar Vivaldo do problema.
Armando Ximenes Lopes (chefe do Setor de Transporte da SEMOSP) – Comandava o setor onde era operacionalizado o esquema, substituindo Gilmar Gonçalves, que delatou os crimes. Apesar de ter tentado alertar superiores acerca da fraude, manteve a engrenagem funcionando.
Nicolau Junior de Souza (assessor do Gabinete) – Era o “pombo-correio” da organização, sendo responsável pela coleta do dinheiro. Foi o primeiro a ser preso pela Polícia Federal, ainda no início das investigações.
Gilmar Gonçalves (ex-chefe do Setor de Transporte da SEMOSP) – Operou a propina durante vários anos, mas acabou se desentendendo com superiores. Estimulado pelo vice-prefeito Jacier Dias (PSC) procurou a PF e delatou todo o grupo, além de detalhar a forma como o esquema funcionava. Fez suas denúncias após firmar acordo de delação premiada com a Justiça.
Jair José de Souza (dono da Tend Tudo Assessórios) – Após a batida realizada pela Federal em sua empresa, no dia 10 de julho, também fez acordo de delação premiada e contribuiu com as investigações.
Os indiciados são acusados de crimes contra a administração pública e formação de quadrilha. Ainda há outros inquéritos em aberto, inclusive implicando vários dos acusados neste primeiro processo resultante da Operação Stigma.