Alguns equipamentos comprados há oito anos estão obsoletos
 
 
Após 11 anos da criação do curso de Comunicação Social, com ênfase em Jornalismo, da Universidade Federal de Rondônia – UNIR em Vilhena, o laboratório de prática em rádio e telejornalismo, ainda não saiu do papel. Em 2007, a Unir recebeu exatos meio milhão de reais de uma emenda parlamentar do ex deputado federal Natan Donadon (PMDB), a pedido da comunidade acadêmica, para garantir a viabilização da estrutura tecnológica que daria suporte prático às aulas teóricas do curso.
Dinheiro em caixa, equipamentos comprados, ainda faltava um elemento crucial. A falta de organização interna do Departamento de Jornalismo – DEJOR, na época e, principalmente, da PROGRAD - Pro Reitoria de Administração da Unir, deram início a um atraso sem precedentes na construção do prédio do laboratório, que frustrou expectativas de quase cem bacharéis que passaram pelos bancos da Universidade.
Uma Resolução da UNIR impedia o uso dos equipamentos sem que houvesse uma sala destinada às aulas práticas. Até hoje, espaços físicos disponíveis são considerados “artigos de luxo” dentro do Campi de Vilhena. Sem sala e sem planejamento didático, os equipamentos, novinhos em folha, passaram a ser usados de forma indiscriminada.
Outro fator que dificulta as aulas práticas é a falta de contratação de técnicos em rádio e TV. Profissionais que operam os equipamentos junto com os acadêmicos, orientando-os quanto ao uso adequado das máquinas. Houve casos em que alunos danificaram máquinas fotográficas por falta de orientação técnica e, é claro, de cuidado.
O entusiasmo pela chegada dos equipamentos, em 2008, motivou diversas turmas que tiveram contato com tecnologia de ponta à época. Câmeras fotográficas de última geração, filmadoras profissionais de alta resolução e outros equipamentos modernos deveriam ter reforçado as aulas práticas de jornalismo. Mas a alegria foi parcial.
Durante uma década, pouco foi feito para viabilizar a estrutura física do laboratório. Durante esse período, o curso foi atingido pela falta de comprometimento de alguns professores que o utilizaram como “trampolim” para garantirem seus doutorados.
Parecendo ter adotado a política do “quanto pior, melhor”, a falta do laboratório, greves e o número reduzido de docentes, deu início a uma disputa entre um grupo fechado de professores que chegou a elaborar, na surdina, proposta para a sua transferência para o Campi de Porto Velho, sem anuência local. A comunidade acadêmica reagiu, mobilizou a sociedade e ameaçou entrar na justiça. Depois de três tentativas frustradas e a formação, goela abaixo, de uma comissão pela nova Reitoria da Unir, o grupo desistiu do golpe.
As “nuvens negras” que pairavam sobre o curso de jornalismo começaram a desaparecer com a transferência dos mentores da tentativa. Novos professores chegaram e com eles o desejo de “juntar os cacos” e reabilitar o curso.
O ex presidente do Diretório Acadêmico da Unir de Vilhena, jornalista Paulo Mendes, que trabalhou na área técnica de várias emissoras de TV do Paraná e Mato Grosso do Sul, antes de conquistar a formação acadêmica e teve participação direta na captação do recurso e aquisição dos equipamentos, diz que o prejuízo pela falta de estrutura prática foi extremamente grande para os acadêmicos. “Um jornalista sem um microfone ou uma câmera é como um bioquímico sem microscópio. Pode ter conhecimento científico, mas, sem o conhecimento técnico e equipamentos adequados, não conclui seu trabalho. Não se trata de ser mais ou menos importante no contexto jornalístico e sim, de uma harmonia necessária para um bom produto final”, afirmou Mendes.
Municiada de todos os percalços por que passou o curso, a nova Chefe do Dejor, Mestre Leoni Serpa, tem obtido diversas conquistas que podem levar o departamento a recuperar, nos próximos anos, o tempo perdido. No ano passado, por intermédio dela, com o apoio e empenho dos demais professores, o MEC reconheceu o curso após um grande esforço na obtenção da nota mínima exigida pelo Ministério. Um passo importante para um curso que sequer era aprovado. “Aos poucos e com muito esforço, temos implementado ações que estão colocando o curso no caminho certo. O reconhecimento pelo MEC, a nova grade curricular e a coesão dos professores no sentido de fortalecer o curso nos garantem um bom futuro para o aprendizado de comunicação social em Vilhena”, garantiu a professora.
Timidamente, mas com desejo de garantir o mínimo de qualidade nas aulas práticas, o curso ganhou uma sala improvisada para rádio e TV. Nela, alguns dos equipamentos passaram a fazer parte do cotidiano dos acadêmicos que gravam e editam pequenos programas nas duas linguagens. “Ainda falta muito, nós sabemos, mas já estamos conseguindo realizar boas aulas práticas a partir dessa estrutura”,