Desabafo foi feito exatamente um mês após advogado apresentar versão de policiais
Exatamente um mês após um advogado representando os policiais envolvidos na morte do trabalhador rural l Domingos de Souza Francisco, que tinha 38 anos na época, a irmã dele, Maria Aparecida de Souza, resolveu comentar a situação e fez um longo desabafo por escrito, enviado ao FOLHA DO SUL ON LINE.
Domingos morreu atingido por vários tiros disparados por policiais, após um motorista de ônibus fazer uma acusação falsa contra ele (LEMBRE AQUI). O site publicou a conclusão do Inquérito, instaurado pela Delegacia de Homicídios de Vilhena, que trouxe detalhes sobre o caso (CONFIRA AQUI). Também publicou a versão apresentada pela defesa dos policiais (VEJA AQUI).
Em seu perfil no Facebook, Luci Souza, outra irmã de Domingos, publicou o mesmo vídeo enviado à redação e escreveu o seguinte comentário: “Olha, gente. que requinte de crueldade desses policiais: o advogado deles foi no jornal pra prestar condolências a minha família, mas por que não apresentaram ao delegado esse vídeo que fizeram para se safar. É com muita dor no meu coração que estou postando esse vídeo pra vocês olharem bem se isso é legítima defesa. Olha as mentiras!” (ACESSE AQUI)
LEIA ABAIXO, na íntegra, a resposta da irmã do trabalhador:
“Em primeiro lugar quero deixar um bom dia para o público de Vilhena. Estou aqui para expressar minha indignação contra o motorista e também muito mais contra esses policiais que dizem que não tinham intenção de matar, mas deram 13 tiros: 6 acertaram e 7 atingiram o solo. E ainda alegam que foi só 6, que foram as balas que voltaram. Será que a bala ia voltar tão certinha, e outra: Foi feita perícia, não é mentira! Se eles insistirem falando essas mentiras eu vou pagar para fazer outra perícia. A pior indignação: eles mataram meu irmão com disparos, uma bala atravessou o coração e um deles ainda teve a imoralidade de dizer a frase ‘uma camaçada de tiros’.
Depois fizeram um vídeo dizendo que meu irmão tentou contra a vida deles com canivete, por isso tiveram que algemá-lo. Será que eles não têm vergonha de dar uma versão dessa? Por que não ligaram as câmeras do coletor da viatura, mas tiveram tempo de fazer um vídeo para acabar com a família? Esse vídeo não foi ao conhecimento do Ministério Público, mas agora vai, porque eu quero justiça. Quem não tem intenção de matar tenta paralisar com tiro na perna ou em outro lugar, não com seis tiros pelas costas.
Para mim isso se chama execução. Enquanto muita gente se cala por medo de represália da polícia, nossos filhos, nossos pais, nossos irmãos e nossos esposos vão continuar morrendo inocentes igual o Domingos. Nós não precisamos desse tipo de policial contra a nossa população. Se eles estão com problemas, não estão contentes com o trabalho deles, devolvam as fardas e deixem quem realmente preza pela população.
O Ministério Público não vai aceitar a simulação que houve nesse crime. Quero ver como que meu irmão tentou matar eles com um canivete depois de um tiro no coração. Foram monstruosos com a família: não bastasse matar meu irmão, ainda algemar para querer se safar. Quero esses policiais na rua, fora da farda ou na cadeia. Eles não tem psicológico para trabalhar com ser humano, eles acharam que Domingos é ser só mais um no meio de tantos. O Domingos era cidadão de bem, trabalhador, morava há 22 anos em Vilhena e tem família.
Vou fazer um protesto pedindo justiça para que isso não venha acontecer com mais gente em Vilhena. Mataram um pai de família e para eles é mesma coisa que matar um cachorro. Só que a justiça de Deus não falha e tenho certeza que nem a da terra vai falhar´, porque eu vou lutar com unhas e dentes para eles pagarem o que fizeram com meu irmão.
Eu lanço um grito de socorro ao Ministério Público: coloque autoridade que tem competência para trabalhar, que tenha amor ao próximo. Não queremos esses policiais descontando o problema deles no cidadão de bem, mesmo sabendo que eles são pais, que eles são filhos, que eles tem irmão. Se eu fosse eles, me envergonhava da atitude. Hoje eu tenho trauma da polícia: ao invés de passar segurança, estão fazendo o cidadão de bem ter medo deles
Meu irmão está morto, mas eles estão trabalhando aí, ganhando deles e talvez continuem a matar mais pessoas de bem, igual fizeram com meu irmão. Bandido eles não prendem, agora cidadão de bem se eles matam. Muito obrigada por aquelas pessoas que acreditaram na gente que acreditaram no meu irmão, porque fomos muitos julgados. Meu irmão levou muito nome de bandido sem dever. Quero justiça”.
CLIQUE ABAIXO e assista o vídeo.
Vídeo
Autor:
Da redação
Fonte:
Folha do Sul
Publicado em 27 de Dezembro de 2021, às 08:47