Autônomo diz que só depôs na PF porque foi chamado

O microempresário Júnior Pintor, que confirmou na Polícia Federal uma conversa com o empresário Dirceu Hoffmann, na qual o construtor teria revelado ameaças que vinha sofrendo, disse ao FOLHA DO SUL ON LINE que anda sendo pressionado através de comentários de pessoas ligadas aos investigados pela PF sobre um suposto esquema de corrupção na prefeitura. 
O autônomo foi chamado a depor na PF e contou ter ouvido a confissão do empresário. Ocorre que, em juízo, Dirceu negou que tivesse sido ameaçado pelos advogados Carlos Eduardo e Bruno Pietrobon. Na audiência realizada na Vara Federal, na semana passada, o empreiteiro também inocentou o ex-secretário Gustavo Valmorbida da suposta coação.
Na mesma audiência, o delegado federal Flori Júnior, que conduziu a “Operação Stigma”, confirmou ter ouvido de Hoffmann a declaração de que ele tinha medo dos Pietrobon. Tal declaração foi assinada por ele e anexada ao inquérito.
O FOLHA DO SUL ON LINE apurou que pessoas acenam para Júnior com a possibilidade de processo na justiça por suposta denunciação caluniosa. Uma autoridade que lida com o caso, no entanto, descarta essa possibilidade, uma vez que o denunciante foi chamado à PF para colaborar com as investigações. E explica que, independente das declarações do pintor, as prisões seriam pedidas, “para manter a ordem pública”.

OFENSAS

Durante a audiência na Vara Federal, quando confirmou o que havia dito na PF, Júnior foi confrontado com a pergunta, formulada pelos advogados dos réus, querendo saber se ele tomava “remédio controlado”. Segundo avalia, o questionamento, repetido várias vezes na oitiva, tinha por objetivo desacreditá-lo perante a justiça. “Não fui atrás de ninguém para fazer denúncia. Mas me chamaram e eu contei a verdade do que sabia”, dispara o autônomo.