Solidariedade contrasta com baixaria no Whatsapp

Ao devastar a estrutura do Park Shopping Vilhena na noite deste domingo, o incêndio que demorou 12 horas para ser debelado, expôs o que há de melhor e a face mais cruel da comunidade. Enquanto grupos no Whatsapp faziam piadinhas, “matavam” sócios do empreendimento e desenvolviam inacreditáveis teorias para provar que o desastre teria sido proposital, no Facebook, ainda que mais discretas, as insinuações eram igualmente venenosas. 
Se no mundo virtual a baixaria campeava, na vida real o que se viu foi um show de solidariedade. A começar pelos Bombeiros, que não descansaram até controlar as chamas. E não apenas os homens da corporação militar (FOTO) suaram a farda para evitar que o desastre fosse ainda maior: brigadistas voluntários e servidores da guarnição que atuam no aeroporto se deslocaram para a cidade e também deram sua contribuição.
Fora eles, destacou-se nos quesitos compaixão e presteza o jovem empresário Giovany Bagattoli, que foi pessoalmente ao posto de combustíveis da família, que fica ao lado do shopping e determinou: todos os veículos que estivessem atuando no combate ao sinistro deveriam ser abastecidos prioritariamente e sem contestação.
Naquele mesmo local, ao ver o caminhão-tanque de uma auto-escola estacionado, enquanto começava a faltar água para jogar nas labaredas, o secretário governamental de Vilhena, Gustavo Valmorbida, assumiu um risco: autorizou ligação direta no veículo e mandou-o para ajudar na empreitada.
O dono de uma empresa de coleta e entulhos, Alexandre Henrique dos Santos, também se envolveu no caso: vendo que um caminhão do SAAE estava sem motorista, pulou na boleia e fez várias viagens carregando água para abastecer as viaturas dos Bombeiros. 
Nenhum dos aqui citados se apresentou como “herói”, nem foi às redes sociais gabar de seus respectivos gestos. Mas se comportaram como tais...