Quando recebeu o convite para viver Maria Madalena na encenação da Paixão de Cristo, em Nova Jerusalém, em 2013, Carol Castro embarcava em uma aventura. Destas das quais não se sabe o que esperar. O enredo era conhecido. Afinal, o maior espetáculo a céu aberto do mundo conta a história que a grande maioria conhece, independentemente de religião, crenças ou dogmas: a crucificação de Jesus. "Imediatamente liguei para a Larissa Maciel, que é minha amiga e havia feito Maria em outra encenação, e perguntei como foi para ela. Nas palavras dela, seria uma experiência incrível e arrebatadora. Ela estava certa", relembra a atriz, que volta ao mesmo local este ano, desta vez para viver Maria. "É um desafio ainda maior. Espero dar conta", declara.
A primeira encenação da Paixão para valer acontece na noite desta sexta-feira, 11. Carol já está na Fazenda Nova, no sertão de Pernambuco, onde fica a cidade cenográfica, desde a terça-feira, 8, para ensaiar com os companheiros - entre eles Fernanda Machado e Carlos Machado. "No ano passado foi minha estreia, e confesso que gostaria de melhorar algumas coisas. Gravamos antes os áudios e senti que faltou um pouco da emoção necessária, da respiração correta. Desta vez, pude me preparar com mais embasamento porque sei como funciona. Posso dizer que é uma emoção indescritível", avalia.
Carol não viveu apenas emoções inerentes ao trabalho. Mas, pessoalmente, vai guardar nomes e imagens na memória. "Quando cheguei lá ano passado, meio tímida e ainda deslocada, fui muito bem acolhida. Principalmente por um ator do elenco, que estava desde 1969, o Jones Melo. Era um senhor calmo, me ajudou muito. E toda noite havia um encontro da equipe, com sarau, fogueira, as pessoas conversando. Me disseram que ele não era muito de ficar até tarde. E, nesta noite, ele foi dormir de madrugada, cantou, dançou, declamou poesias, e eu fiquei fascinada por aquela figura. Quando acordamos no dia seguinte, soubemos que ele havia sido encontrado morto pela manhã, vítima de um infarto. Foi um choque para mim e, ao mesmo tempo, tive a certeza que precisava estar naquele local, naquele acontecimento", conta ela, que passou a enxergar a vida com olhos mais ternos: "A gente vive nessa correria do dia a dia e depois disso passei a pensar na qualidade dos encontros, do tempo que a gente posterga com a família e com os amigos. Hoje sou muito mais presente, tento melhorar essa qualidade do convívio".
Fonte:
EGO
Publicado em 11 de Abril de 2014, às 09:57