Um impasse entre partidos aliados paralisou as nomeações para o segundo escalão do Governo e levou o PMDB a questionar o valor do novo salário-mínimo. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que o Governo vai vetar qualquer reajuste acima de R$ 540.

 

PT e PMDB apareceram juntos na cerimônia em que o peemedebista Moreira Franco assumiu a Secretaria de Assuntos Estratégicos. Mas, nos bastidores, os dois partidos andam se estranhando.

 

A explicação está no Diário Oficial. Indicados do PMDB sendo exonerados e petistas sendo nomeados. Cargos do segundo escalão para Secretaria de Atenção à Saúde, da Funasa, dos Correios.

 

"Uma recomendação expressa de que fizéssemos nomeações no correio com caráter técnico. Não houve discussão com nenhum partido. Nós selecionamos pelo currículo", afirma o Ministro das Comunicações, Paulo Bernardo.

 

A insatisfação levou o Governo a suspender as nomeações de segundo escalão. O temor é que o atrito entre PMDB e PT prejudique o acordo já firmado entre os dois partidos para as eleições dos presidentes da Câmara e do Senado.

 

Por isso mesmo, Dilma escalou um time de articuladores para conter a crise. Entre eles, o vice, Michel Temer, presidente licenciado do PMDB. E foi no apartamento de Temer que a direção do partido se reuniu. Eles não aceitam os avanços do PT sobre setores dominados pelo partido.

 

“É muito difícil preencher todos esses espaços em 15, 20 dias. É natural que muita coisa poderá ficar pra frente. Mas não é uma exigência do PMDB, não", declarou ao Jornal Nacional o senador pelo PMDB de Rondônia, Valdir Raupp, presidente interino do partido.

 

O Governo tenta mostrar que não existe problema.“É normal que, numa mudança de Governo, haja, evidentemente, algumas movimentações. Mas quero aqui reafirmar, normais”, declara o ministro das Relações Institucionais, Luiz Sérgio.

 

E o problema não é só esse. O PMDB avisou que ainda precisa ser convencido sobre o novo valor do salário-mínimo de R$540.

 

“O que nós queremos é que a área econômica converse não só com o PMDB, mas com a base aliada, para que possa explicar o porquê desse valor”, informa o deputado pelo PMDB do Rio Grande do Norte, Henrique Alves, líder do partido.

 

Mas o governo não abre mão. “Nesse momento é temerário a gente aumentar o valor acima de R$ 540. O Governo vai batalhar para que essa seja a decisão que vai prevalecer. Se vier alguma coisa diferente, nós vamos simplesmente vetar”, garante o ministro da Fazenda.

 

 

RAUPP PRESIDENTE INTERINO - O vice-presidente da República, Michel Temer, presidente do PMDB, encaminhou nesta terça 4 documento à executiva nacional do partido formalizando a licença do cargo.

 

Como o senador Valdir Raupp é o primeiro vice-presidente da legenda, assumiu o comando do partido em substituição a Temer.

 

Os dois peemedebistas almoçaram ontem, em Brasília, para formalizar detalhes da troca no comando do PMDB.

 

A licença foi a saída encontrada por Temer para garantir que Raupp assuma o cargo sem a realização de convenção nacional para a escolha do novo presidente.

 

Ao mesmo tempo, sem a saída definitiva, Temer tem a liberdade de retornar ao comando do partido - se esse for o desejo do vice-presidente ou do próprio PMDB.

 

O mandato de Temer terminaria em março de 2012. Se a executiva nacional da sigla não convocar novas eleições para o seu comando, Raupp permanece no cargo até o início do ano que vem.

 

Caso Temer optasse pela renúncia, o partido teria que decidir no voto o nome de seu novo comandante.

 

Raupp disputava o comando do partido com o deputado Eunício Oliveira (PMDB-CE), eleito senador.

 

O deputado defendia a renúncia de Temer para forçar uma nova eleição do diretório nacional, mas o vice-presidente eleito cedeu aos apelos do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e do líder da bancada no Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) - defensores da licença temporária.