Em 1993, quando era governador da Paraíba, o poeta Ronaldo Cunha Lima (foto) invadiu um restaurante de João Pessoa e disparou três tiros a queima-roupa contra o adversário, Tarcísio Burity, que tambám havia governado o Estado. Dois dos disparos atingiram Burity que, segundo sua viúva, a professora Glaucy Burity, “começou a morrer naquele dia. Já naquela época ele começou a definhar fisicamente e entrou em depressão”, lamentou. O mandatário de fato morreu anos mais tarde.
Após o crime, que segundo o autor, teria sido cometido em defesa da honra do filho, Cunha Lima se elegeu deputado federal e o caso foi enviado para ser julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Cunha Lima não aceitou as duras críticas e acusações que Burity supostamente havia feito a Cássio Cunha Lima (na época do fato superintendente da SUDENE) em um programa de televisão local.
Em outubro de 2007, quando a ação criminal aberta em razão da tentativa de homicídio estava para ser levada ao plenário do STF, o parlamentar paraibano renunciou e o caso foi enviado para a justiça comum. 17 anos depois, Cunha Lima ainda não foi levado a júri popular.
Agora, diante da decisão do STF de não permitir que o também deputado federal Natan Donadon (PMDB) renunciasse para responder pelos crimes de que é acusado na primeira instância, fica a pergunta: por que a Corte, mesmo classificando de “chicana” a estratégia do líder paraibano, permitiu que ela se concretizasse? Por que se aplicou a um o direito da renúncia, punindo o mesmo gesto praticado pelo vilhenense?
Se fosse julgado pelo Supremo e supondo que condenado fosse (como Natan foi), a quem Cunha Lima poderia ele apelar? Somente a Deus, coisa que poderia isentá-lo da condenação divina, porém não o livraria da condenação humana. Um julgamento pelo Supremo é uma espécie de jogo radical: ou tudo ou nada, ou o réu é considerado definitivamente inocente ou definitivamente culpado e ponto final.
Natan, que renunciou ao mandato um dia antes de ser julgado, falou por telefone com o www.folhadosulonline.com.br e se disse perplexo com o que decidiram os ministros. Abalado, mas sem demonstrar desespero, o ex-representante do Cone Sul na Câmara não quis antecipar a estratégia jurídica que irá adotar. Simplesmente agradeceu as manifestações de apoio e reconhecimento que vem recebendo.