A crise econômica que atingiu o mundo no final do ano passado está se refletindo diretamente na vida de pessoas que saíram de cidades do Cone Sul de Rondônia para tentar a sorte em países da Europa. Coincidentemente, os destinos preferidos pelo migrantes são justamente os mais castigados pela crise: Espanha e Portugal.

Os dois países vêm enfrentando uma severa onda de desemprego e, segundo o relato de uma vilhenense que há pouco mais de um ano desembarcou na Espanha, a situação é de desespero. “Se não há trabalho para os próprios espanhóis, imagine para nós”, diz Pâmela Melo (FOTO). A jovem trabalhou como balconista de uma padaria na cidade de Madri, mas perdeu o emprego no mês passado. O estabelecimento que a acolhera desde a sua chegada teve que fechar as portas por falta de clientes e a estudante pensa em retornar a Vilhena. A moça diz que nos últimos dias, pelo menos cinco colegas seus fizeram o caminho de volta para o Brasil deixando a Espanha.

A situação não é diferente em Portugal. No chamado país-irmão, em que os brasileiros atuam em subempregos, a recessão também faz vítimas. Com a construção civil parada, as demissões de estrangeiros se multiplicam e, quem consegue permanecer no trabalho, enfrenta patrões que submetem os empregados a regimes de semi-escravidão. De acordo com um migrante que saiu de Cerejeiras para ganhar em euros em Lisboa, as jornadas diárias na capital lusitana podem chegar a 15 horas. O dia trabalhado vale, dependendo da região, entre 60 e 75 euros, mas a rotina é de senzala.

Não bastassem os problemas com os salários, os rondonienses na Europa também sofrem com a perseguição. A maioria que está lá se vê obrigada a trabalhar ilegalmente, o que impede o recebimento de direitos. Com a escassez de vagas, os espanhóis e os portugueses usam um golpe baixo para se livrar da concorrência: denunciam os estrangeiros, que vivem sob tensão, com medo de serem deportados.