Um fato chamou a atenção no debate promovido ontem pela Associação Comercial e Industrial de Vilhena (ACIV) entre os candidatos a governador de Rondônia: a ausência de empresários no Clube dos Estados, local do “confronto”. Segundo um dos organizadores, menos de 10% dos presentes pertenciam à entidade que idealizou e bancou o evento.
O desinteresse dos empresários locais por acontecimentos políticos contrasta com a crença da maioria deles, de que a classe tem influência nas decisões eleitorais. Pouco articulados, os homens de negócio da cidade preferem as bravatas à participação mais ativa no processo. Resultado da omissão: poucos dos eleitos ouvem a opinião deles após a vitória. Por causa de tal postura, um número cada vez maior de “políticos profissionais” ocupam o lugar que deveria ser de quem se diz orgulhoso de promover o desenvolvimento de Vilhena. “Empresário daqui só tem gogó, mas voto que é bom, nada...”, resumiu um líder comunitário, que assistiu ao debate.
Também pareceu estranho a muita gente a falta de prefeitos da região acompanhando o acontecimento. Nem mesmo o anfitrião, Zé Rover (PP), deu as caras por lá. Dos candidatos a deputado do Cone Sul, dois ou três deram o ar da graça. Por tudo, isso, apesar da organização impecável, é pouco provável que a segunda edição do debate aconteça: os candidatos devem calcular que comícios e reuniões com aliados rendem mais votos.
ORGANIZAÇÃO – Exceção entre seus pares, o presidente da ACIV, Ivanildo Araújo, estava na primeira fileira vda platéia que foi ao Clube dos Estados ouvir as propostas dos candidatos. No local, várias emissoras de rádio, TVs e sites resgistravam o acontecimento. Destaque para o mediador, José Antônio Santana, jornalista que conduziu de maneira imparcial e extramamente profissional o “combate”. Em alguns momentos, o comunicador lembrou aos mais exaltados da platéia que as manifestações exageradas poderiam prejudicar a fala e o raciocínio dos postulantes ao Palácio Getúlio Vargas.
DESEMPENHOS: Confúcio Moura, do PMDB, e Expedito Junior, do PSDB apresentaram suas propostas com maior clareza e objetividade. O ex-prefeito de Ariquemes pôs em destaque as obras realizadas no período de sua gestão naquele município. “Estou preparado para fazer um governo previsível, sem sobressaltos”, disse Confúcio.
Já Expedito Junior exaltou ser o único candidato a apresentar um plano de governo escrito. E destacou conquistas para o estado enquanto foi senador. “Tenho experiência de vida, experiência de quem foi engraxate, experiência de quem foi jornaleiro, experiência de quem foi estivador, e é com essa experiência que governarei o estado de Rondônia”, enfatizou Expedito.
A linha adotada pelo candidato do PT, Eduardo Valverde para o debate, é a mesma de Dilma Rousseff: contar como sendo suas as conquistas do presidente Lula. Valverde não perdeu uma oportunidade para reafirmar como será importante que Rondônia tenha um governador do mesmo partido de Dilma Rouseff, que lidera as pesquisas de intenção de votos para presidente. “Não uso chapéu e nem bengala, tenho respeitabilidade para sentar com a presidente e dialogar”, frisou Valverde.
O candidato do PSOL, Marcos Sussuarana, teve uma atuação semelhante ao candidato à presidência pelo seu partido, Plínio de Arruda Sampaio, tentando, a cada oportunidade, provocar e polemizar o debate. Sussuarana, segundo as últimas pesquisas, tem chances mínimas de se eleger. “Não sou forasteiro, sou filho de Rondônia, não sou político profissional e estou preparado para governar esse estado”, enfatizou Sussuarana.
A ausência no debate do governador João Cahulla, do PPS, foi criticada pelos candidatos presentes, assim como a atuação da atual administração estadual.