Entre os inúmeros crimes cometidos pelos marginais em Vilhena nos últimos dias, um deles ainda tem perturbado várias pessoas.  O golpe do falso sequestro é aplicado já há certo tempo, principalmente por bandidos de dentro de presídios. Esta modalidade de crime se espalhou para todo país e já fez algumas vítimas recentes em Vilhena e outras cidades do Cone Sul.

Na manhã desta quarta-feira, 11, a reportagem da FOLHA DO SUL entrevistou com o delegado de Polícia Civil, Daniel Uchôa, que deu algumas dicas para a população não cair no golpe do “sequestro” e em outros artifícios usados por bandidos.

Segundo o delegado, mesmo sabendo que é difícil, a pessoa que recebe um telefonema com ameaças e xingamentos, em primeiro lugar deve manter a calma e ganhar tempo. Logo que possível, o cidadão que recebe a chamada deve tentar localizar a pessoa que o criminoso disse ter sequestrado. Caso o marginal diga que está com filha, marido ou neto, o interlocutor nunca deve fornecer informações do tipo: onde está, nome completo ou números de telefones, pois a vítima estará colaborando com o falso sequestrador.

Se possível, ensina o delegado, “peça para falar com quem está sequestrado e faça perguntas que somente ele (ou ela) poderia saber a respostas, ou faça questionamentos e afirmações mentirosas, tal como teu irmão disse que te ama, mesmo sabendo que a suposta vítima não tem irmão. Também se pode argumentar: ‘seu pai está preocupado, mesmo que o seqüestrado seja órfão”.

Além do falso sequestro, existem ainda os falsos prêmios oferecidos pelos golpistas. Os marginais ligam dizendo que a pessoa foi contemplada com uma grande quantia em dinheiro ou prêmios diversos. Só que, ao entrar em contato com a pessoa, os bandidos pedem para ela fazer recargas de celular ou até mesmo depósitos bancários.

Na manhã desta quarta-feira, um aposentado de 67 anos procurou a DPC para fazer o registro de uma ocorrência, na qual relata que golpistas  entraram em contato, falando que ele havia ganhado um prêmio de R$100.000.00 e que para receber a “bolada”,  tinha que depositar R$ 250 em uma conta fornecida pelo criminoso.

O idoso só não foi extorquido porque uma funcionária da agência bancária que foi procurada para que pudesse lhe ajudar a realizar o depósito desconfiou do caso e o alertou que podia ser um golpe.


Nesta modalidade de golpe, o delegado enfatiza: “Como uma pessoa pode ter ganhado um prêmio no qual não estava concorrendo?” E outra coisa:  por que alguém tem que pagar para receber prêmio –o lógico seria descontar do montante que o sorteado teria a receber.

De acordo com Uchôa, a grande maioria dos crimes de falso sequestro, pessoas que ganharam prêmios, entre outros tipos de golpes, é praticada através de celulares por detentos que falam de dentro de presídios, sendo quase impossível identificar os autores dos delitos.