Flori Cordeiro desabafou contra “casta privilegiada”
Por telefone, falando de Porto Velho, para onde se mudou ontem, após ser promovido, o ex-delegado da Polícia Federal em Vilhena, Flori Cordeiro, criticou a OAB, por defender com tanta veemência a prisão domiciliar para os advogados Carlos e Bruno Pietrobon, presos por agentes sob seu comando, acusados de coagir testemunhas que seriam ouvidas sobre desvio de verbas da prefeitura.
O delegado disse entender a ação da entidade em defesa de seus associados, mas lembrou que, ao lutar para que advogados cumpram apenas prisões domiciliares em Rondônia, estaria criando “uma casta privilegiada à custa da impunidade”.
Os vilhenenses foram soltos (leia aqui e aqui) porque a OAB alegou que, em seus estatutos, está previsto que advogados só podem ficar presos, até sentença de mérito, em “sala do Estado Maior”, um tipo de instalação que não existe em nenhuma cidade de Rondônia.
Ao lamentar a postura da instituição, o delegado desabafou: “Não vamos mais poder colocar a mão em advogado assassino ou estuprador. A OAB, que encampou tantas lutas importantes para a nossa democracia, pode ser muito maior que isso”.
Ao apontar as conseqüências do corporativismo da classe, Cordeiro também sugeriu que a própria instituição cobre do Estado, e entre com ação na justiça, sem necessário, para a construção da acomodação carcerária que considera adequada.
Dizendo estar de “coração partido” por ter se mudado de Vilhena, a autoridade também fez comentários sobre a absolvição do prefeito Zé Rover (PP), denunciado pela própria PF. As declarações sobre o caso serão postadas em breve.