Boa parte dos policiais civis que estão, desde as primeiras horas da manhã de hoje, executando a Operação Apocalipse, em Porto Velho, são de Vilhena. Entre os agentes transferidos para dar suporte à ação da Polícia Civil, que já prendeu vereadores e investiga deputados estaduais, estão os delegados Fábio Campos e Ítalo Osvaldo Alves da Silva (o primeiro no detalhe e o outro, na imagem maior acompanhado do agente Lourival).
Ao todo, 500 homens participam da investida policial. Deste total, são 18 agentes e cinco delegados de Vilhena. De Colorado foram enviados três policiais e outros quatro de Cerejeiras.
O FOLHA DO SUL ON LINE tentou obter, na manhã de hoje, junto à Delegacia de Polícia Civil de Vilhena, informações sobre os desdobramentos da operação, mas ninguém confirmou se havia vilhenenses na lista de pessoas que poderia ser presas ou investigadas.
OUTRO ROVER – Na manhã de hoje, o site Rondiagora publicou reportagem sobre um suposto esquema de tráfico de drogas envolvendo políticos da capital. No texto, o veículo revela que a droga, procedente da Bolívia, onde era adquirida em troca de carros de luxo, chegava a Porto Velho através da Distribuidora Rover, empresa tradicional do comércio de alimentos pertencente a um primo do prefeito Zé Rover:
Confira a reportagem veiculada hoje no site RONDONIAGORA:
São fortes os indícios, inclusive com testemunhos em Juízo, da participação de Fernando Braga Serrão, o Fernando da Gata, e Alberto Ferreira Siqueira, o Beto Baba, no tráfico internacional de entorpecentes. Em depoimento, uma testemunha confirma a participação dos dois e de seus familiares – Adriana Argemiro, cunhada de Fernando da Gata, e seu esposo – na troca da droga por carros de luxo SW4, Land Rover, Honda CRV nos portos do Iata e Vila Murtinho na Bolívia. Os carros eram adquiridos através do chamado golpe do “FINAN” que consiste na aquisição via financiamento bancário de veículos em nome de “laranjas” que apresentam extratos bancários, contra cheques e declarações de bens falsos nas instituições financeiras. As operações aconteciam nos estados do Rio Grande do Norte, São Paulo, Rio de Janeiro e Mato Grosso. Os veículos eram trocados por cocaína e cada um chegava a valer 10 quilos da pasta base. A droga chegava a Porto Velho através de caminhões da distribuidora ROVER e depois seguia via área ou de carreta para os estados do Sul e Sudeste. O lucro da quadrilha chegava a R$ 2 milhões por negócio.
Envolvimento de políticos
Com o lucro do tráfico e transferências bancárias através de “hackeamento” de computadores, Alberto Ferreira Siqueira e Fernando Braga Serrão patrocinavam campanhas de políticos com chances reais de chegar ao mandato. Em troca, como fizeram com a deputada estadual Ana Dermani (Ana da 8), exigiam cargos com salários de até R$ 8.000,00 para fazer “dinheiro” junto as instituições financeiras através de empréstimos e uso do limite de cartão de crédito. A maioria era laranja que ganhava um percentual mínimo do salário. A atividade era corrente também na Câmara de Vereadores, onde foram presos Marcelo Reis (PV), Eduardo Rodrigues (PV) e Jair Montes (PTC), apontado como um dos líderes deste braço da quadrilha.