Dez detentas do município de Vilhena fizeram a prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). As avaliações foram aplicadas no próprio presídio em duas etapas. Na quarta-feira 15, foi a prova de Ciências Naturais, Tecnologias e Humanas, com duração de quatro horas e meia. Já na quinta-feira 16, foram realizados os exames de Códigos, Língua Estrangeira, Matemática e Redação, fechando a segunda e última fase do Enem para presidiários, que ocorreu em todo o território nacional. Os alunos tiveram cinco horas e meia para realizar a última prova.

 

Claudia Cristina Closs (foto individual), 28 anos, fez a prova pela primeira vez e pretende cursar veterinária. “Eu gostaria de fazer Direito ou Psicologia, mas devido à minha pena ser em regime fechado acho difícil conseguir”. Mesmo condenada a 14 anos de prisão, ela não deixa de sonhar e vê no Enem uma oportunidade de dar continuidade à vida. “Se estamos aqui no cárcere é porque erramos, mas a vida nos dá uma segunda chance, então é hora de lutar. Quero continuar os estudos, ter um emprego e voltar a fazer concursos”, disse Claudia que já cumpriu um ano e dez meses da pena. “Estou confiante na minha nota no Enem. Estudei um pouco e acho que vou me sair bem.”

 

De acordo com o Ministério da Educação (MEC), aproximadamente 15 mil presidiários e jovens internos de mais de 500 penitenciárias, delegacias, detenções e unidades socioeducativas participaram do exame em todo o Brasil.

 

Com as notas adquiridas, os presos poderão se inscrever no Prouni para concorrer a bolsas de estudo e tentar disputar uma vaga na faculdade. Os detentos que conseguirem a vaga e ainda estiverem em regime fechado poderão, segundo informações da assessoria de imprensa do MEC, tentar um curso à distância ou aguardar o direito de progressão de pena. A nota tem validade de dois anos.

 

A professora Beatriz Camilo Ricardo Dias, que dá aulas no presídio feminino de Vilhena, diz que é gratificante ver que o seu trabalho, feito conjuntamente com outros educadores, está surtindo efeito. “Muitas mulheres tinham desistido de estudar, algumas eram analfabetas. É muito bom, hoje, vê-las querer ingressar num curso de graduação”, diz.

 

O presídio feminino local oferece aulas de alfabetização, ensino fundamental e médio há quatro anos. Ao todo são quatro professores para atender às 48 detentas.

 

Os educadores também lecionam para os albergados. Beatriz conta que nenhum homem pôde participar do Enem, este ano, porque a maioria não havia concluído Ensino Médio ou não portava os documentos pessoais, que é uma exigência do MEC para se inscrever no Exame.