Educador diz que projeto foi apresentado sem ouvir comunidade

O professor Antônio Carlos Nogueira, diretor da Escola Zilda da Frota Uchoa, entidade que está no centro da polêmica quanto à militarização ou não, abriu as portas da maior instituição estadual de ensino do Cone Sul de Rondônia com intuito de mostrar à comunidade vilhenense o que ele chamou de “lado bom do Zilda”. Conforme o educador, “a Escola tem seus valores, é muito boa para se trabalhar, todo funcionário quer permanecer no Zilda, porque somos uma comunidade gigantesca e temos todos os subsídios que precisamos para realizarmos o nosso trabalho”, afirmou Nogueira.

Em 2017 a “o Zilda”, como a escola é carinhosamente chamada, completa 34 anos de atividades e atende uma comunidade de mais de 1.200 alunos do sexto ano ao ensino médio, em 44 turmas, em dois períodos (22 turmas pela manhã e 22 à tarde).

A unidade educacional é bem estruturada, com biblioteca, laboratório de Biologia, laboratório de Informática e auditório para 100 pessoas. A escola possui ainda quadra esportiva e uma área verde com diversas espécies nativas, como Ipê, Pau Brasil, Aroeira, Freijó e até Mogno. “A Escola Zilda hoje tem vários projetos pedagógicos em desenvolvimento, como: Do mundo mágico da poesia ao desenho animado; Terceirão no Enem, com vistas a auxiliar os jovens que irão fazer o exame; Projeto de Reforço Escolar de Língua Portuguesa e Matemática; Projeto de Intervenção Pedagógica; e o Regatando o Civismo na Escola, que acontece em parceria com o Tiro de Guerra”, adicionou Nogueira. 

Para o diretor, que foi escolhido democraticamente pelo voto, estas são algumas das razões, que somadas a outras, como a localização privilegiada da escola e a comunidade de 10 mil pessoas que a escola atinge, que fazem os militares cobiçá-la. “É uma escola que está pronta; é claro que temos problemas, como toda escola tem, mas temos hoje alunos egressos se formando ou estudando nos mais diversos cursos superiores, isso mostra que a escola oferece uma formação que prepara o cidadão para alçar vôos mais altos”, argumentou. 

Sobre o processo de militarização, Nogueira disse que não houve uma consulta à comunidade. “O vereador chegou num sábado aqui, entrou na escola, tirou fotos, fez o projeto, do qual nós não temos cópias até hoje, foi a Porto Velho e falou: ‘é esta escola que eu quero’; não sentou com a diretoria nem com o conselho, não ouviu nenhum pai antes de entregar o projeto ao secretário de Estado da Educação”, disse o diretor, referindo-se ao policial militar Carlos Suchi (PTN), que exerce seu primeiro mandato na Câmara de Vilhena.

Nogueira afirmou que mudaram data e local da reunião para ouvir a comunidade sobre o assunto em cima da hora, em uma espécie de manobra para diminuir o público presente e não haver uma oposição forte. “Eles mudaram uma reunião nossa de última hora, mudaram a data de uma audiência pública e tiraram da escola, levaram para outro local. Já havíamos enviado bilhetes aos pais informando sobre a reunião, e tivemos que reenviar. Remarcaram a reunião para o auditório do Ministério Público, para dar pouca gente e não reagir. Mas não foi só, ainda mudaram mais uma vez. O próprio vereador Suchi, via WahtsApp, avisou que não seria mais no MP e sim no auditório da Câmara Municipal. Cheguei lá, tinha onze pais e treze alunos presentes, de um universo de 1.280 alunos e 513 pais. E fizeram uma ata dizendo que o povo do Zilda foi ouvido”, pontuou o diretor, que realizou posteriormente, na escola, uma reunião com o conselho e com os pais e, nesta reunião, segundo Nogueira, 80% dos presentes se posicionaram contrários a militarização.   

“Ele foi eleito com a promessa de palanque de que traria uma escola militar para Vilhena. E simplesmente diz: “o Zilda é a minha escola”. Não. Construam uma escola nos moldes que querem”, finalizou.