"A população no geral está pagando um preço muito mais alto do que a população carcerária”
 
O Diretor do Centro de Ressocialização Cone Sul, presídio instalado na área rural de Vilhena, Dirceu Martini, em resposta ao contato da reportagem do FOLHA DO SUL ON LINE realizado na manhã desta terça-feira, 06, devido ao protesto promovido pelas mães e esposas dos detentos, que buscam a liberação das visitas na unidade, afirmou que a atitude das manifestantes “é insensata” (CONFIRA AQUI).
 
Segundo Dirceu, a proibição das visitas por parte do Estado, que tem a custódia dos detentos e a obrigação de garantir a integridade física deles, não é para puni-los e sim para protegê-los, uma vez que a imunidade da população carcerária  não é das melhores.
 
Nessa mesma linha, Dirceu afirmou ainda que, desde o início da pandemia, não houve na unidade nenhuma contaminação por parte dos presos e que o preço que eles estão pagando com a suspensão das visitas, que é uma proteção, é muito baixo perto do que a sociedade está pagando com perdas de entes queridos, falência de pequenas empresas que acarretam desemprego e, mesmo assim, as pessoas não possuem a liberdade de visitar alguns de seus familiares ainda que não estejam encarceradas.
 
"A população no geral está pagando um preço muito mais alto do que a população carcerária, pois a entrada de alimentos e cartas está ocorrendo normalmente. Então, não entendo o porquê das famílias insistirem na liberação das visitas, se a proibição é uma forma de proteger seus entes queridos", afirmou Dirceu.
 
 
Já com relação a permissão de chamadas de vídeo, o diretor afirmou que de fato há unidades que estão fazendo, porém, são de pequeno porte e se localizam dentro dos municípios, onde os sinais de internet são mais apropriados, situação esta, que não condiz com a realidade do presídio Cone Sul, que hoje conta com quase  400 detentos e o sinal, que é uma cortesia conseguida pelo Fórum para a realização das audiências através de vídeoconferência, não é apropriado, pois “é muito fraco”.
 
Porém, mesmo assim, o diretor afirmou ter adotou o projeto, que é uma criação de uma juíza de Pimenta Bueno, denominado "Alô Meu Mundo" e adaptou para o presídio, porém, o juiz da comarca de Vilhena não acatou,  devido a impossibilidade de destinar recursos que não sejam para o combate à pandemia.
 
Martini contou que, ainda segundo o magistrado, caso o projeto fosse implantado não seria possível atender a todos e a situação é inviável.
 
 
Por fim, Dirceu afirmou que a liberação das visitas presenciais pode colocar a perder todo o trabalho realizado até agora para garantir a saúde dos presos e, principalmente, causar muitas mortes devido a fragilidade do sistema imunológico dos detentos.
 
"O Estado não está punindo, está protegendo e as famílias precisam entender isso, pois se o vírus entrar na unidade pode ser devastador", concluiu.