Funcionário é acusado de deixar corpo cair junto com a maca
A reportagem do FOLHA DO SUL ON LINE recebeu informações de que a diretoria do Hospital Regional de Vilhena havia feito uma denúncia formal na Delegacia da Polícia Civil contra o proprietário da Funerária São Matheus, na última segunda-feira, 25, um dia antes do empresário ter denunciado que os corpos de vítimas da Covid-19 estavam sendo misturados aos demais e procurou a gestão do órgão para averiguar as informações.
Segundo o teor da denúncia feita pela direção da unidade de saúde, o empresário Ademilson de Gouveia Silva, mais conhecido como “Nino da funerária”, se recusa, assim como seus funcionários, a removerem os corpos da Central do Covid paramentados com equipamento de segurança, como é estipulado por um decreto em vigor e como é feito pelas demais funerárias do município.
Ainda segundo o teor da denúncia, um dos funcionários entrou na ala da Covid-19 sem autorização e sem equipamentos de segurança, e ainda derrubou um dos corpos juntamente com a maca.
Ao ser repreendido por uma técnica de enfermagem para que tivesse mais cuidado, o funcionário da funerária empurrou a maca contra a servidora da saúde e Nino a chamou de idiota, por ela ter afirmado que iria reclamar com a direção da unidade.
Em conversa com a reportagem do site, a diretora do hospital, Siclinda Raasch, afirmou que antes da denúncia na polícia, Nino foi informado que esta seria feita e por isso “fez a acusação infundada” de que os corpo estavam sendo misturados, mas isso de fato não procede, pois as vítima fatais da Covid-19, ficam aguardando a remoção na central específica e não no necrotério do hospital.
Ainda segundo Siclinda, a remoção tem que ser feita por uma funerária escolhida pela família, informação esta que foi rebatida por Nino, que também falou com a reportagem do site e afirmou estar havendo uma espécie de “fornecimento” para uma funerária especifica por parte da diretoria, por motivos particulares, sem que seja respeitada a escala de plantões.
O empresário reforçou que o acordo feito entre as funerárias, Ministério Público e Secretaria Municipal de Saúde, onde narra que somente a família tem o direito de escolher outra funerária que não seja a plantonista para fazer a remoção dos corpos, não está sendo seguido, pois quem tem feito essa indicação são os próprios funcionários do hospital e isso pode ser provado com os documentos internos que mostrará o nome da empresa que mais tem realizado a retirada de cadáveres do local.
Nino rebateu ainda a acusação de que ele e seus funcionários se recusam a usar os paramentos obrigatórios, dizendo que é “mentira”, e que segundo o decreto, os corpos devem ser entregues para as funerárias dentro de dois sacos pretos do lado de fora da central para proteção dos funcionários, e isso não tem sido seguido na Central do Covid de Vilhena, pois seus funcionários tem que entrar na unidade e fazer o serviço.
“Particularmente eu acho que colocar os corpos nos sacos pretos é obrigação da funerária, mas se o decreto estipula que é obrigação dos técnicos de enfermagem, eles devem fazer e não fazem”, afirmou Nino.
Nino denunciou ainda que, nem mesmo os servidores da Central do Covid fazem uso de paramentação, e que o prefeito Eduardo Japonês e a diretoria do hospital não respondem às solicitações feitas por “ninguém”, só se estes se pronunciarem através da imprensa ou redes sociais.
“Nós usamos a paramentação, mas mesmo se não usássemos eles não tem o direito de falar nada, porque já cansamos de ver os funcionários da Central do Covid só com máscara no rosto e eles também podem levar o vírus para casa, ainda mais que nós”, relatou Nino.
Por fim, Nino satirizou a situação, afirmando que o prefeito Eduardo Japonês está seguindo a risca um pronunciamento que fez no final de sua campanha, afirmando, segundo o empresário, que iria gerar mais empregos no setor funerário.
“Para gerar empregos no setor funerário ele tem que gerar mais mortes, então deve ser isso”, concluiu Nino.
Autor:
Da redação
Fonte:
Folha do Sul
Publicado em 28 de Janeiro de 2021, às 13:05