“Os servidores vão levar para a vida as habilidades desenvolvidas através da superação de desafios e para as carreiras, novos conhecimentos tecnológicos”
Com inovações desafiadoras que vão ficar na história e que causou um rebuliço na vida de pais, alunos e professores, o ano letivo de 2020 se encerrou e apesar das queixas de ambas as partes, vai deixar um legado de superação para muitos profissionais da educação.
Mesmo veiculando no decorrer da crise sanitária, que ainda não teve fim, várias situações de desespero do corpo docente e discente, que não conseguiam se adaptar às “tenebrosas” aulas online, que foi uma medida de emergência criada pelo Ministério da Educação (MEC), para que o ano letivo não fosse perdido devido o isolamento social, a reportagem do Folha do Sul Online procurou a gestão e supervisão de duas das mais renomadas escolas públicas do Cone Sul do Estado, para saber qual a opinião dos profissionais, agora, que aparentemente, o pior já passou.
A frente da gestão de uma instituição com quase 1.200 alunos, estando entre eles, os da Educação de Jovens e Adultos (EJA), Ivanise Mendes, servidora da escola Wilson Camargo, relatou que apesar da surpresa da equipe ao ter que trabalhar com algo totalmente novo e sem treinamento antecipado, fazendo um levantamento do ano letivo, os servidores vão levar para a vida as habilidades desenvolvidas através da superação de desafios e para as carreiras, novos conhecimentos tecnológicos.
Ainda segundo Ivanise, as maiores dificuldades enfrentadas pela equipe pedagógica da instituição, se deram pelo fato dos alunos não se adaptarem à nova modalidade de estudo remoto e pela ausência de ajuda e acompanhamento de alguns pais, que insistiam na impossibilidade dos filhos aprenderem sem auxílio presencial de um educador, chegando a solicitar que o aluno fosse reprovado.
No entanto, apesar da falta de habilidade inicial por parte dos professores e a difícil aceitação por parte dos alunos, de que as plataformas virtuais eram a única alternativa no momento, a equipe se sente vitoriosa e define o ano letivo como um ano de superação.
Já Eliane Alves Freitas, supervisora da maior escola pública estadual de Colorado do Oeste, Paulo de Assis Ribeiro, definiu as novidades do ano letivo de 2020 como assustadoras, uma vez que as plataformas online dispostas para dar continuidade aos estudos durante a pandemia, eram totalmente desconhecidas por parte da equipe pedagógica para a finalidade de desenvolvimento do processo de ensino e aprendizagem.
"A princípio, a equipe gestora teve que aprender a lidar com a plataforma por conta própria, sem demonstrar insegurança aos professores, a quem tínhamos a incumbência de instruir, mesmo também lidando com algo totalmente novo", relatou Eliane.
Porém, a servidora afirmou que o tempo de "desorientação" durou pouco, pois a Coordenadoria Regional (CRE) de Vilhena, sempre procurou através do Núcleo de Tecnologia Educacional (NTE), estar um passo a frente da equipe pedagógica das escolas, para prestar suporte diante dos desafios que foram surgindo.
Dentre os maiores desafios físicos, Eliane afirmou que também se encaixou a inserção dos educandos na plataforma online, assim como, o direcionamento dos educadores nas aulas ou atividades enviadas que apresentavam problemas.
"Foi muito difícil entender a plataforma nas entrelinhas para dar suporte aos professores e aos pais, que apresentavam ainda mais dificuldades", relembrou a servidora.
Ainda com relação às dificuldades enfrentadas, a supervisora afirmou que a conscientização dos pais e alunos com relação à obrigatoriedade e comprometimento com as aulas online não foram fáceis, mas conforme foram sendo divulgadas as legislações relacionadas às mudanças, os boatos de que ninguém seria responsabilizado pela omissão na realização das atividades foram se extinguindo.
Eliane afirmou que os profissionais da educação hoje, possuem uma visão diferente com relação a importância das mídias no processo de ensino e aprendizagem, uma vez que ela já vinha batendo na porta e muitos por conservadorismo não se permitiam fazer uso dela. No entanto, ao se tornar a única escolha, tiveram que aprender a dominar não só as plataformas virtuais para postagens das atividades, como também os aplicativos, por onde realizavam muitas lives e reuniões de formação continuada.
"Apesar do suporte do NTE, o manuseio dos aparelhos, aplicativos e links eram por conta dos professores diretamente de seus lares. Então cada um teve que se reinventar e até mesmo abolir mentalidades de que o mundo digital é "descartável" no processo de ensino aprendizagem", afirmou Eliane.
Apesar das dificuldades dos alunos, que segundo a servidora, possuem domínio das mídias, porém, apenas para entretenimento e ao se tratar de estudo acabavam perdendo o foco se desviando para as redes sociais reduzindo assim a qualidade do processo de aprendizagem, a supervisora relatou que eles tiveram como ponto positivo durante o ano letivo de 2020, o desenvolvimento de habilidades motoras, pois alguns são mais auditivos e outros mais visuais, mas sem a presença física do professor, tiveram que exercitar a leitura e interpretação.
"Apesar da grande dificuldade inicial com alguns pais que não tinham tempo para cobrar dos filhos o comprometimento com as aulas online e offline e outros que simplesmente se negavam a serem os mediadores alegando não terem obrigação de ensinar, fomos vencendo etapas por se tratar de uma minoria e a relação deles com a equipe pedagógica foi se estreitando" enfatizou a supervisora.
Definindo o ano letivo em meio uma das maiores crises sanitárias que o mundo já viu, como um ano de superação, Eliane afirma que a equipe escolar pode ter deixado a desejar com relação às respostas imediatas a alguns alunos, pois nas salas de aula a explicação atinge a todos, já nas plataformas, as dúvidas tinham que ser sanadas de forma individual e alguns professores lecionam para mais de 500 alunos.
Porém, mesmo assim, todos encerram as atividades com orgulho e se sentindo vitoriosos, pois além das lutas para se adequarem às mídias e aos novos horários de trabalho que chegavam a se estender pelas madrugadas, muitos profissionais da educação travaram lutas pessoais com a contaminação pelo vírus e até mesmo pela perda de entes queridos, mas não deixaram, em momento algum, de darem o melhor de si.
Autor:
Leir Freitas
Fonte:
Folha do Sul
Publicado em 04 de Janeiro de 2021, às 11:53