“Porque a bandidagem que esses caras fizeram nessa última semana foi a gota d’água”, disparou contra o STF
Na manhã de ontem (segunda-feira, 15), durante um ato pró-Bolsonaro que também pedia intervenção militar no Brasil, o empresário Jaime Bagattoli, que concorreu a uma cadeira do Senado por Rondônia na última eleição nacional, criticou os ministros do STF e a classe política, e afirmou que “a roubalheira desse país começou na constituição e 1988”.
Convidado a falar aos manifestantes, Bagattoli subiu na caçamba da picape e iniciou a sua fala com uma comparação entre o período de quando ele chegou em Rondônia, quando o governo militar da época tinha como meta colonizar a região, e dias mais recentes. “Quem é mais velho, quem tem da minha idade pra cima, ou menos ainda, sabe disso. Nós viemos para Rondônia, nós podíamos trabalhar; o Exército Brasileiro deixou nós trabalhar. O que aconteceu nos últimos anos é uma vergonha para o nosso país. E agora nós chagamos ao caos. O que que aconteceu agora? Trancaram até as pessoas que realmente querem trabalhar e querem gerar emprego e renda para o país”, comparou.
O empresário afirmou se sentir privilegiado e ao mesmo tempo indignado, porque nenhum dos segmentos de atuação do grupo empresarial que comanda fechou um único dia sequer. Bagattoli questionou porque outros setores do comércio foram obrigados a fechar. “Nós trabalhamos! Por que que o meu vizinho tem que ficar fechado? Tá errado, senhores promotores, senhores juízes. Nós respeitamos vocês. Mas, senhores promotores, vocês têm salários equivalente a 25 ou 30 salários mínimos. E olhem como que está vivendo as pessoas no desemprego, na fome. Vocês vão matar esse povo no desemprego e na fome”, afirmou.
Em um trecho do discurso, Bagattoli disse que não queria estar ali, pedindo intervenção militar. Mas, que é preciso agir por mudanças. “Nós queríamos estar vivendo numa democracia, mas não numa democracia dessa aí. Tem que mudar. Tem deputado, tem vereador, tem senador andando de cadeiras de rodas; já tão aí há 50 anos. Esses caras não tem a mínima intenção de mudar esse país. E tem mais, e os novos que entram, entra menino de 18, 19, 20 21 anos; eles chega lá e se depara com um monte de dinheiro lá na frente. Não vai mudar nada também. Tem que entrar nesse país pessoas que sabe, que conhece, que tem a dignidade; que sabe o que é gerar emprego”, disse.
Noutro ponto da fala do empresário, ele define assim a promulgação da Constituição Federal: “Eles criaram aquela Constituição, aquela reforma da constituição de 1988, aquilo não foi pensando no povo brasileiro, foi pensando neles próprios... A roubalheira desse país começou na constituição e 1988”, frisou.
Sobre a pandemia, a opinião do empresário parece ser a mesma do Presidente Jair Bolsonaro. “O que está acontecendo? Nós se calemo, e eles vão levar essa pandemia até 2022. Se nós não sairmos pra rua, se nós não se manifestarmos, eu falo pra vocês, eles vão querer levar esse negócio até o ano de 2022. O projeto deles é destituir, é derrubar o presidente da República”, afirmou.
Por fim, ele citou o Poder Judiciário afirmando: “nós não somos contra vocês”, e arrematou em seguida: “Contra o STF, sim. Porque a bandidagem que esses caras fizeram nessa última semana foi a gota d’água. Isso foi pra chamar o povo brasileiro de lixo. Eles chamaram nós de lixo!”.
Ao final do evento, a reportagem do FOLHA DO SUL ONLINE conversou com o empresário, que reafirmou que o ato era em apoio ao presidente e reafirmou a indignação do grupo com o STF. “Esse movimento é em prol da governabilidade do país. Porque nós chegamos no limite. Veja bem, nós temos o Congresso com o novo presidente, aparentemente tá dando um sinal que vai ter governabilidade no país. Mas, o STF chegou no fundo do poço. Nós não temos mais condições. Esse STF é uma vergonha total para esse país”, declarou, antes de concluir: “E falo mais uma coisa pra você: eu não vou dizer que aquele deputado que hoje está preso, como parlamentar ele não podia falar aquilo, mas eu gostaria muito que se fizesse um plebiscito público, a nível Brasil, pra ver o quê que o povo brasileiro acha do STF. Eles vão levar, certamente, uma porrada de mais ou menos de 80 a 90%, porque o povo tá de saco cheio com eles; que o povo não aguenta mais essa arbitrariedade que o STF tá fazendo com o nosso país”.
Sobre o fechamento de setores da economia, o empresário voltou a afirmar que o comércio tem que trabalhar, mesmo com restrições, tomando os cuidados. “Tem que continuar trabalhando. Não vou te falar que tivesse algum segmento, essas danceterias aí, que talvez teria que averiguar, mas todos os comércios poderiam estar funcionando com restrição, mas mão fechar. Porque está acabando com todos os empregos que tem dentro do nosso Estado, não só no nosso município, é no Estado, e a nível Brasil”, ponderou.
Autor:
Rogério Perucci
Publicado em 16 de Março de 2021, às 10:26