Jorge Teixeira de Oliveira deixou uma legião de simpatizantes em todas as classes sociais
 
Existem pouquíssimos políticos que sejam um consenso. Talvez, nenhum deles. Mas, em Rondônia, houve um que quase chegou a este patamar.
 
O ex-governador Jorge Teixeira de Oliveira, o Teixeirão, é uma personalidade quase consensual em Rondônia. "Pessoas de diversas classes sociais E de diferentes preferências políticas têm um carinho por ele até hoje", disse ao FOLHA DO SUL ONLINE o engenheiro Rui Teixeira Filho, do Rio de Janeiro, neto de Teixeirão.
 
Neste dia 1° de junho, comemora-se o centenário do ex-governador. Teixeirão nasceu nesta mesma data há 100 anos, em General Câmara, no Rio Grande do Sul.
 
Comandante do Exército e prefeito de Manaus de 1973 a 1979 (a capital amazonense tem um bairro com o nome dele), o militar veio a se tornar governador e fez história. Ele foi o último governador do então Território Federal de Rondônia e o primeiro do Estado de Rondônia. Teixeirão  assumiu o cargo no dia 10 de abril de 1979.
 
Aliás, o militar gaúcho não só foi o primeiro governador do recém-criado Estado, como também o responsável pela emancipação política rondoniense. Historiadores relatam que o então presidente do Brasil, João Baptista Figueiredo, não teria criado o Estado se este não estivesse "em boas mãos".
 
 
Segundo relata uma reportagem do Diário da Amazônia sobre o centenário, Teixeirão também foi crucial para o asfaltamento da BR-364 no trecho Cuiabá-Porto Velho, no início da década de 1980. Na época, com livre acesso ao Palácio do Planalto, o ex-governador levou ao então presidente um dossiê com fotos da rodovia de terra. Figueiredo, chocado com o drama do recém-nascido Estado, ordenou a pavimentação da estrada.
 
Teixeirão morrem no dia 28 de janeiro de 1987 e foi enterrado no cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro, para onde havia se mudado após deixar a vida pública. Deixou a esposa, Aída Fibiger de Oliveira, o filho, Rui Teixeira Guilherme Figiber Teixeira e um neto, o entrevistado por esta reportagem. Em maio de 2020, a esposa do ex-governador morreu de Covid-19.
 
O neto do ex-governador se emociona ao falar do avô, que se tornou um símbolo da ética em Rondônia. "Nossa família não tem fazendas. Meu pai [filho do ex-governador] não tem terras. Meu avô não nos deixou patrimônio. Nos deixou um legado de exemplo de ética e respeito ao próximo".