Sapata afirma que mulheres em vulnerabilidade social não têm recurso para comprar absorventes
No dia 16 de agosto, o vereador Valdecir Sapata Jordão (PSB) apresentou um projeto de lei na Câmara Municipal de Cerejeiras. Até então, nada de excepcional, já que este é um procedimento comum dos parlamentares em todas as sessões. No entanto, o projeto de lei nº 064/21 é único em sua abrangência e natureza: ele tenta resolver o problema da “pobreza menstrual” no município.
A ideia do projeto é basicamente a seguinte: o poder público municipal ficaria na responsabilidade de distribuir absorventes nas escolas públicas municipais e disponibilizá-los nas unidades de saúde do município. Grosso modo, é mais ou menos como é feito com os preservativos nas campanhas de prevenção às doenças sexualmente transmissíveis.
Ao FOLHA DO SUL ONLINE, o vereador explicou o motivo do projeto de lei. “Existem muitas moças que têm problema na escola por causa da chegada da menstruação. Como elas não têm recursos para comprar absorventes, recorrem a panos, jornais ou outros materiais inadequados”, disse Sapata.
O vereador disse também que, como professor, ele mesmo já presenciou situação desta natureza em sala de aula. “Uma aluna uma vez não levantava da cadeira. Nem na hora do recreio ela se levantou. Quando fui abordar a moça, ela falou que tinha se menstruado na sala de aula e a família não tinha dinheiro para comprar absorvente”, disse o vereador. E adverte: “Às vezes a gente acha que isso não acontece. Mas acontece muito”.
O vereador afirma também que muitas moças faltam às aulas em dias letivos por causa da menstruação. “Se você somar o período menstrual da mulher no ano e distribuir no período letivo, dá 45 dias. Ou seja, é o tempo que uma moça pobre poderá ficar fora da escola simplesmente porque não tem absorvente”.
Segundo o vereador, não há uma estimativa exata de quantas moças e mulheres podem estar nesta situação, mas ele chuta um número. “Calculo que possam existir umas 300 pessoas do sexo feminino em situação de vulnerabilidade social. Eu tiro este número do seguinte raciocínio: a Secretaria de Assistência Social contabilizou 600 famílias carentes em Cerejeiras e quase sempre metade de um grupo social é mulher e metade é homem”.
Autor:
Rildo Costa
Fonte:
Folha do Sul
Publicado em 24 de Agosto de 2021, às 14:19