Acir Gurgacz fez longo discurso para servidores

De passagem pelo Cone Sul, um dos três senadores de Rondônia no Congresso Nacional defendeu publicamente, num longo discurso, a manutenção do mandato da presidente da República, Dilma Rousseff (PT). O senador Acir Gurgacz (PDT) falou sobre o assunto numa reunião pública com autoridades e populares que aconteceu na manhã do último sábado, 22, num sindicato de servidores estaduais em Cerejeiras.
“Sou radicalmente contra o impeachment”, disse Gurgacz, usando números e argumentos para sustentar essa posição. 
Na fala que durou uma hora, o senador pedetista disse que o país vive uma crise econômica seguida por uma crise política. “Mas a crise política é maior. A operação Lava Jato envolveu e vai ainda envolver muita gente. E a presidenta Dilma apoia as investigações”, disse.
“Quero esclarecer uma coisa para vocês”, afirmou Acir, num tom pedagógico. “A origem da crise política se deu com o início das investigações da Lava Jato. Muita gente que tinha sido indicado por políticos caiu depois de ser investigado pela operação. E esses políticos que haviam indicado os que caíram na investigação queriam colocar outros no lugar. Mas a presidenta Dilma negou essas novas indicações e disse que ia colocar os técnicos de carreira que já estavam na Petrobrás. Foi aí que todo mundo começou a falar em impeachment”, disse o senador no discurso.
“Tem mais”, continuou Gurgacz, com o dedo em riste. “A ameaça de impeachment é para que a presidenta Dilma impeça a operação Lava Jato. Mas ela não fará isso. Ela quer ver a corrupção fora da Petrobras. Além disso, ela não pode fazer nada, mesmo que quisesse. As instituições são livres neste país”.
O parlamentar continuou: “E também quero dizer que um impedimento da presidenta Dilma agora fragiliza a nossa democracia e as nossas instituições. Após o término da ditadura, em 1985, houve quatro presidentes eleitos, e um deles sofreu impedimento. Se a Dilma tiver o mandato interrompido agora, vai ser um presidente expulso a cada dois  eleitos. Ou seja, seriam 50 por cento dos eleitos não terminam o mandato. Isso coincide com os dois presidentes que não terminaram o mandato dos quatro eleitos democraticamente que antecederam o golpe de 1964”, diz Acir.
Quase no final do pronunciamento que fez em Cerejeiras, o senador também falou em tom de advertência. “Se a presidenta Dilma sair agora, não sei em que situação o Brasil entraria. Acho que iríamos entrar numa crise política e econômica pior ainda”, disse.
Ao finalizar seu pronunciamento, Acir Gurgacz, ainda falando sobre a presidente Dilma, disse. “Eu votaria pelo impeachment, caso houvesse uma acusação formal contra ela no exercício da Presidência. Mas não há. Até agora não há. Os investigadores da Lava Jato já reviraram tudo e até agora não há nada que ao menos comprometa a presidenta Dilma. Por isso, sou radicalmente contra o impedimento do mandato dela”.