Medições ficaram 132,88% acima do serviço executado


O FOLHA DO SUL ON LINE teve acesso a mais uma denúncia do MPF contra três pessoas acusadas de desviar recursos federais em Vilhena. As verbas que, segundo a Procuradoria da República na cidade, teriam sido usadas ilegalmente, são provenientes de convênio do município com o Ministério das Cidades.

A ação penal proposta pelo MPF tem como denunciados o engenheiro José Guilherme Azevedo Bodanese, fiscal de obras da prefeitura; o ex-secretário municipal de Integração Governamental, Gustavo Valmorbida; e o empresário Juescelino Bellicanta, sócio-administrador da empreiteira Mosaico.

De acordo com a denúncia, uma gravação feita pela Polícia Federal, com autorização judicial no celular de Gustavo, teria flagrado diálogos entre os três, combinando detalhes de fraudes em obras de esgotamento sanitário, custeadas com verbas da União. A transcrição das conversas, aliás, integra o inquérito instaurado na PF e fazem parte da própria acusação protocolada pelo MPF na Vara Federal local.

Documentos apreendidos confirmam os telefonemas e apontam que Bodanese teria confirmado a execução de serviços não feitos. As planilhas assinadas pelo engenheiro mostram que o montante de obras listadas para pagamento está 132,88% acima do que realmente foi executado.

Ouvido na PF, Guilherme teria revelado que apenas obedeceu ordens de Gustavo, que teria combinado com Bellicanta os detalhes da fraude. Também explicou que a vistoria da obra deveria ser feita por uma empresa especializada, uma vez que o contrato da prefeitura com a empreiteira previa isso.

Valmorbida, por sua vez, tirou o corpo fora e alegou que estava apenas cobrando agilidade nas medições, uma vez que havia o risco de, sem o procedimento, o dinheiro liberado ser devolvido ao Ministério das Cidades.

O empreiteiro também prestou depoimento da PF, e admitiu ter entregado uma planilha a Bodanese, apenas “sugerindo” a medição.

Ao calcular o valor que seria pago pelo serviço não realizado, o MPF também denunciou que os preços cobrados eram superfaturados. Apenas em relação ao aumento da medição, o valor indevido chegava a R$ 218.873,89. Tal montante, no entanto, não chegou a ser pago porque o órgão denunciante embargou as obras.

A Procuradoria pede que os três acusados sejam condenados criminalmente. O FOLHA DO SUL ON LINE, que baseou esta reportagem em documentos oficiais, reserva espaço para os três acusados, caso eles queiram se manifestar quanto às denúncias.