A Escola Zilda da Frota Uchoa vive um clima de inquietação e revolta no período noturno, e que quase terminou em tragédia na noite de ontem.

Tudo começou na última segunda-ferira, quando passou a valer determinação da diretora Fátima Bodanese, para que o horário de aulas fossse cumprido à risca, isto é, com início às 19h30 e término às 10h30.

Ocorre que, como em 90% das escolas públicas de toda a rede, a grande maioria dos professores libera os alunos 20 ou 30 minutos antes do fim das aulas, pelos mais variados pretextos: porque muitos vieram direto do trabalho e estão com fome, porque as ruas são inseguras tarde da noite, principalmente para as alunas, porque os conteúdos já foram dados -coisa que não acontece pela manhã e à tarde -mas o maior motivo é mesmo o comodismo, já que todos estão cansados, inclusive os professores, e querem ir logo para casa.

No Zilda, a prática tinha virado abuso, segundo Fátima. “Depois que o professor ganha estabilidade no serviço público, acha que pode fazer o que quiser, não precisa seguir regras e dá aula quando e como quer”, desabafa.

Com a nova ordem, as aulas deveriam ir até as 10h30 e os portões de saída só estão sendo abertos após as 10h45. Porém, as aulas continuam sendo encerradas antes do horário, muitos professores continuam liberando os alunos antes do previsto e o pátio vai enchendo de estudantes, cada vez mais revoltados por se sentirem presos, do ponto de vista deles, sem nenhnuma razão.

Ontem, deu polícia. Alarmada com os berros de centenas de alunos no pátio pela terceira noite seguida, Fátima acionou a PM. Cinco viaturas cercaram a escola, policiais invadiram o pátio pulando muros. Segundo os alunos, pelo menos um menor, J., do 2º ano “A”, foi levado para a 1ª Delegacia de Polícia Civil, e a escola quase virou uma praça de guerra, com soldados de carabinas e revólveres em punho.

Pior: com o tumulto, e a atitude da diretora, que manteve a proibição de abertura dos portões, inclusive o externo, antes das 22h45, mesmo com os conflitos com a polícia, houve um “estouro da boiada” no único e estreito portão de saída.

Centenas de pedestres, ciclistas e motoqueiros apressados se misturaram de uma só vez, com iminente risco de acidentes e de atropelamentos, já que não existem calçadas nas ruas adjacentes ao portão lateral do Zilda e todos foram para casa ao mesmo tempo, andando no meio da rua.

Hoje à noite, a situação tende a piorar. Dezenas de alunos revoltados com a detenção de um e a agressão a outros colegas por parte de alguns soldados, prometeram denunciar os fatos às emissoras de rádio da cidade e encabeçar um abaixo-assiando pela demissão da diretora.

“Se ela não tem autoridade sobre os professores, a culpa não é dos alunos. Se os professores liberam a gente, não fazem a obrigação deles, a culpa também não é nossa”, resume Daniela F., que pediu para não ser publicado seu nome completo nem sua série, por motivos óbvios.

 

Confira os desdobramentos deste caso na edição impressa da FOLHA DO SUL, que circula neste sábado, dia 12.