Servidor que trabalha há 23 anos no colégio é contra mudança
Foi realizada ontem (quinta-feira, 12), na escola Zilda da Frota Uchôa, uma das maiores instituições estaduais de ensino de Rondônia, uma reunião para discutir a proposta de transformar o colégio em uma entidade de gestão militar. Participaram do evento, pais, alunos e professores da escola, uma das mais antigas de Vilhena.
Durante as discussões sobre a “militarização” do Zilda, a maioria dos pais se manifestou contra a implantação do projeto no estabelecimento. “Cerca de 80% não querem a iniciativa aqui”, disse um servidor que trabalha há 23 anos no colégio.
Ao final da reunião, uma ata sobre as discussões entre os participantes foi lavrada. “Não somos contra a militarização, apenas não queremos que ela seja implantada no Zilda”, disse o educador.
O FOLHA DO SUL ON LINE teve acesso ao Projeto de Lei aprovado recentemente pela Assembléia Legislativa, e constatou que, na matéria, o nome da escola vilhenense não foi sequer sido mencionado. Mas a autorização para a mudança que a atinge foi dada pelo Parlamento estadual. Diz um trecho do texto: “Fica autorizada a criação, por ato do Chefe do Poder Executivo, de unidades do Colégio Tiradentes da Polícia Militar – CTPM, nos moldes da lei estadual nº 3.161, de 27 de agosto de 2013, as quais passarão a integrar a estrutura organizacional da Polícia Militar do Estado de Rondônia”.
A proposta aprovada na ALE foi sugerida pelos deputados Jesuíno Boabaid (PT do B), Airton Gurgacz (PDT) e Maurão de Carvalho (PMDB).
COBRA OU É GRÁTIS?
Embora não exista menção à cobrança de mensalidades no projeto que afeta a unidade vilhenense, os servidores do Zilda acreditam que haverá uma taxa a ser paga pelos alunos. Isto porque, em Porto Velho, o Colégio Tiradentes faz isso. “Pela proposta, o Zilda será apenas uma extensão do CTPM da capital”, explica o professor.
QUEM ENTRA?
Segundo o educador, embora isto também não conste do projeto, nas escolas militares, a tradição é de que 70% das vagas sejam ocupadas por filhos de policiais.
MENOS VAGAS
O professor também antecipa que a militarização fará com que quase metade das vagas do Zilda sejam cortadas. “E o restante dos alunos, vai pra onde?”, questiona o educador, que preferiu não se identificar a fim de evitar polêmicas, mas vem participando ativamente das discussões sobre o tema.
ALTERNATIVA
Os servidores do Zilda sugerem, já que a lei autoriza, que os defensores do projeto, escolham um colégio mais adequado para implantar a experiência, e desmentem que o bairro onde está a escola esteja entre os mais violentos da cidade. E ameaçam: irão à justiça caso a vontade da maioria dos pais e professores seja desrespeitada.