“Mataram dois policiais. Isso não é movimento social, isso é crime”
 
A tensão na área rural de rondoniense tem se intensificado nos últimos meses em alguns pontos do Estado, um deles aqui na região do Cone Sul, onde um grupo da Liga dos Camponeses Pobres (LCP) ocupa a área de reserva de uma fazenda no município de Chupinguaia.
 
O grupo já causou destruição na sede da fazenda e matou diversas cabeças de gado. A Polícia Militar monitora a área. Ontem, quatro integrantes da LCP, armados com bombas caseiras, cercaram uma das viaturas da Polícia Militar que patrulhava a região. A ação foi percebida pelos policiais que seguiam à frente em outras viaturas e retornaram, cercaram e prenderam os responsáveis pelo ataque.
 
 Mais ou menos no mesmo horário do ataque aos policiais em Chupinguaia, o governador Marcos Rocha concedia entrevista coletiva em Vilhena, a cerca de 150 km do local do conflito, e respondia perguntas sobre a situação das invasões e da violência no campo.
 
O governador afirmou que teve diversas reuniões em Brasília para tratar sobre o tema. Ele confirmou uma equipe da Força Nacional deve chegar nos próximos dias ao Estado para atuar nos nestes pontos de tensão. 
 
“Eu tive várias reuniões ao no mês passado e também neste mês, com o ministro da Justiça, com o secretário nacional de Regularização Fundiária; falei com próprio presidente, com o Conselho Nacional de Justiça, conselho do Ministério Público Federal, com o objetivo de solucionar essa questão”, disse e prosseguiu: “E ficou acordado que a Força Nacional vem para fortalecer. Mas, não só a Força Nacional não, Polícia Federal e Rodoviária também. É uma união de todos pra poder fazer o melhor”.
 
Questionado sobre a situação das famílias que estão acampadas na fazenda em Chupinguaia, Marcos Rocha afirmou: “Você sabe o que que eu penso? Eu vou falar aqui. Eu penso que tá uma tremenda inversão de valores no nosso País, no nosso Estado. O que é certo virou errado, e o que é errado virou certo. A gente tem que lutar contra isso. É nisso que o nosso presidente Bolsonaro acredita, é nisso que eu acredito também; e foi isso que eu ouvi da boca do nosso ministro (da Justiça) Anderson Torres, que é um delegado da Polícia Federal. Precisamos tomar providências, houve destruição de fazendas. Ali não é movimento social não! Ali é crime mesmo! Tiraram vidas. Mataram dois policiais. Isso não é movimento social, isso é crime. E crime tem que ter os rigores da lei aplicados”, esbravejou.
 
Na sequência de sua fala, ainda sobre as famílias daquele acampamento, Rocha disse que elas precisam procurar a assistência social do município ou do Estado.
 
“Existem pessoas simples que estão ali no meio, e existem pessoas armadas com fuzis, com granadas e coquetéis (molotov). Então, temos que ao mesmo tempo, proteger as pessoas inocentes que estão ali sendo mantidas quase que como reféns, e combater os criminosos”, ponderou,  antes de concluir: “O que eu posso responder é o seguinte: não importa como venham, as nossas polícias são fortes”.