Parlamentares se rebelam contra demissão de comissionados


O prefeito de Vilhena, Zé Rover (PP), adotou, a contragosto, uma medida amarga: vai colocar no olho da rua pelo menos 200 ocupantes de cargos comissionados.  O número de exonerados não é do conhecimento sequer dos vereadores e, segundo os rumores, pode chegar a 300. A tesourada nos cargos comissionados atinge também os efetivos, que não podem ser demitidos, mas perdem 20% do valor das gratificações que recebiam.
A decisão, segundo argumenta o prefeito, tem como objetivo equilibrar as finanças de sua administração, que enfrenta problemas até mesmo para pagar fornecedores. A pindaíba seria reflexo da severa queda dos repasses federais e da própria arrecadação municipal.
Enquanto as exonerações, que não precisam do aval da Câmara, vão sendo preparadas, os vereadores se estressam e fazem ameaças contra a equipe de Rover. Nenhum tem coragem de se manifestar publicamente contra as demissões, mas nos bastidores, quase todos prometem revidar à medida.
A reação dos parlamentares diz respeito a questões político-financeiras, já que a grande maioria dos que estão nos cargos de confiança (e na marca do pênalti) devem o emprego à indicação dos edis. Embora não exista sequer indício da prática, no submundo da fofoca política é disseminado o boato de que muitos portariados “racham” o salário com os padrinhos.
Certo é que, no momento, o maior empecilho para que Rover enxugue a folha de pagamentos e economize recursos para enfrentar a crise, está no Legislativo. Nesta semana, um vereador, em conversa com o FOLHA DO SUL ON LINE, um vereador “da base” criticou as dispensas e saiu em defesa de quem perderá a boquinha: “São pessoas que dependem desse salário para se alimentar. Podem fazer isso, mas esqueçam a eleição do ano que vem”, disse, em tom de ameaça, lembrando que Rover tem intenção de eleger seu poderoso secretário governamental, Gustavo Valmorbida, para lhe suceder.