Marcos Rogério voltou a dizer que Cloroquina é defendida por Estados e municípios
Cumprindo agenda na região do Cone Sul de Rondônia, o senador Marcos Rogério (DEM), vice-líder do Governo no Senado, esteve em Vilhena para o que foi anunciado, às presas e sem qualquer informação acerca do tema em pauta, como uma entrevista coletiva,mas que na verdade, com exceção das perguntas feitas pela reportagem do FOLHA DO SUL ON LINE, acabou sendo apenas um pronunciamento sobre as ações do democrata na Comissão Parlamentar de Inquérito em curso no Congresso, e da qual ele é membro.
No auditório da Câmara Municipal de Vilhena, onde além de alguns membros da imprensa se reuniram dezenas de pessoas, entre eles secretários municipais e vereadores, o senador, que chegou acompanhado pelo ex-senador Expedito Junior (PSDB) e foi recepcionado pelo prefeito Eduardo Japonês e pela vice Patrícia da Glória, ambos do PV, discursou por mais de 40 minutos, durante os quais falou sobre sua ascensão política; sobre recursos para a construção de um novo hospital em Vilhena; sobre cloroquina vacinas; e também CPI.
“Para o hospital temos uma emenda grande da bancada federal. E nós já asseguramos que assim que for dado início a obra, é um compromisso nosso, não só meu, mas de toda a bancada, da gente garantir que não falte recurso para esta obra ser concluída para Vilhena e para todo o Cone Sul, que vai ser o hospital aqui da região”, disse o senador.
O senador criticou como foi instalada, o momento que foi instalada, e qual tem sido, no entendimento dele, o foco da CPI. “O que nós estamos enfrentando é algo desafiador. Porque no meio de uma pandemia, por decisão do Supremo Tribunal Federal, o Senado foi obrigado a instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito”, ponderou.
Marcos Rogério lembrou que inicialmente a proposta era investigar apenas o governo federal e o que aconteceu no Estado do Amazonas. “Agora, nós conseguimos paralelamente aprovar um requerimento que estende esta investigação também para os Estados e municípios. Porque a Covid-19 não atacou só o Distrito Federal. A Covid-19 não atacou apenas o Estado do Amazonas. A pandemia é global. Todos os países, todos os Estados e municípios brasileiros sofreram e ainda sofrem com a pandemia da Covid-19. Mas, em razão de circunstâncias políticas, havia interesse de fazer instalação da CPI focando apenas no Poder Executivo Federal e o Estado do Amazonas. Porque o alvo era, e ainda é, um só: o presidente da República”, apontou.
Ainda sobre o tema, Marcos Rogério citou como exemplo de que o foco seria o presidente Jair Bolsonaro, como, supostamente se comportam o relator e o vice-presidente da CPI, senadores Renan Calheiros (MDB) e Randolfe Rodrigues (REDE), ao serem questionados em entrevistas sobre os Estados e municípios. “Algumas pessoas são tão cara-de-pau que não fazem nem questão de esconder isso. Tanto o relator, quanto o vice-presidente da CPI, quando vão dar entrevista e alguém questiona quando a investigação vai partir para os Estados e municípios, eles dizem que o objetivo dessa CPI é investigar ação e omissão do governo federal, e que não tem nada a ver com corrupção”, afirmou.
Na sequência da fala, o senador ponderou que se for para investigar ações e omissões no enfrentamento à Covid-19, só será uma investigação séria se ela atingir todas as esferas governamentais federal, estaduais e municipais. “Primeira semana só ministro da Saúde e ex-ministros. Ok! Votei a favor da convocação de todos eles. Na segunda semana nós propusemos aprovar a convocação de alguns governadores. Mas, não quiseram”, revelou.
Em outro trecho do discurso, Marcos Rogério afirmou que o presidente Jair Bolsonaro teria editado um decreto em janeiro do ano passado reconhecendo a situação de emergência. Mas, teria encontrado resistência para implantar os protocolos, sem citar quais, por causa da possibilidade de cancelamento do carnaval.
“No início do ano passado, antes da OMS reconhecer a pandemia, o Brasil reconheceu. Já em janeiro o presidente Bolsonaro edita um decreto reconhecendo a emergência nacional em razão da pandemia e os primeiros protocolos já começam. Sabe o que aconteceu naquele momento? A turma do contra, os mesmos que hoje querem condenar o presidente Bolsonaro, naquele momento ficaram contra o que ele fez. Sabe por quê ? Porque tinham interesse no carnaval que estava pra acontecer, e eles não queriam cancelar o carnaval. Inclusive veículos de comunicação poderosíssimos do Brasil”, declarou.
Sobre o protocolo para uso da Cloroquina, o senador negou veementemente que o presidente tenha dado qualquer ordem para que o medicamente fosse incluído no protocolo do Ministério da Saúde para Covid-19, e apontou outro nome que teria feito tal sugestão.
“Lá atrás, em razão de uma pesquisa americana que apontava que o remédio que nós usamos para malária teria eficácia contra a Covid, ele sacou do bolso e disse que a Cloroquina era um remédio importante e potente em relação à Covid. Mas, o presidente nunca mandou o Ministério da Saúde colocar no protocolo. Nunca houve uma ordem dele. Embora ele sempre tenha defendido, isso é público e notório, que aquele medicamento era um medicamento importante”, disse, antes de continuar: “Sabe quem quis chamar pra si quando as pesquisas começaram a acontece pelo mundo? Um governador de um Estado poderoso do Brasil. Não podendo dar o crédito para Bolsonaro, ele fez uma live e disse que o médico a frente do comitê de enfrentamento à pandemia daquele estado, teria indicado ao ministro da Saúde que incorporasse no protocolo de tratamento da Covid-19 a hidroxicloroquina. Sabe quem foi que mandou colocar lá no Ministério da Saúde? Não foi Bolsonaro, e não estou dizendo que Bolsonaro não defendeu a cloroquina, estou dizendo que quem veio a público dizer que era pra o ministro colocar no protocolo do Ministério da Saúde, foi o senhor João Dória, vou dar logo o nome dele aqui. Mas, esse mesmo cidadão, hoje quer atirar pedra no presidente”, disparou.
Ainda sobre o medicamento, o senador afirmou que foram os Estados e municípios que solicitaram ao Ministério da Saúde o envio da Cloroquina e da Hidroxicloroquina. Ele citou alguns Estados que ainda estariam fazendo uso da cloroquina e aproveitou para cutucar o senador Renan Calheiros. “Sabe qual Estado está usando hoje ainda? Vou falar baixo pra o Renan não ouvir: Alagoas. Continua usando o protocolo da Cloroquina. Mas, quer condenar o presidente que usou a cloroquina”.
Em outro trecho, Marcos Rogério voltou a falar sobre Estados e municípios, e disse que irá propor na próxima semana, que a CPI aprofunde a investigação. “Nós tivemos ações da Polícia Federal em pelo menos 18 Estados da federação. São 51 operações da Polícia Federal. Há suspeitas de desvios, superfaturamentos, contratos fictícios, licitação fraudulenta. Mas, eles não querem investigar se houve corrupção”, lamentou.
O senador disse que o papel dele na CPI é o de “buscar a verdade”, e voltou a defender que se for para investigar o Governo Federal, também é para se investigar Estados e municípios que receberam recursos federais. “Se houve erro, nós queremos saber. Quando tem corrupção eu sou implacável. Mas, quando tem injustiça eu também sou implacável. O relator já chegou na CPI com a sentença debaixo do braço. Não importa se ele não vai encontrar provas, não importa se ele não vai encontrar documentos. Ele já pré-julgou, ele já condenou o presidente da república”, afirmou.
Por fim, o senador falou sobre vacinas. Ele disse ter esperança de que o Brasil consiga vacinar todo o grupo prioritário ainda no primeiro semestre, e que a partir de julho comece a imunização do restante da população. “Temos hoje mais de 600 milhões de doses de vacinas contratadas. Uma parte já chegou, outra parte tá chegando”, disse o senador.
Ainda sobre vacinas, Marcos Rogério declarou que o presidente Bolsonaro tem recebido críticas por não ter comprado tudo do Consórcio Covax Facility. O senador parece ter se equivocado nesta afirmação, pois as críticas dirigidas ao governo brasileiro são justamente por ter apostado em uma única opção, a AstraZeneca, desenvolvida pela Universidade de Oxford e produzida no Brasil pela Fiocruz; ao invés de ter comprado de uma variedade de laboratórios e muito mais cedo.
E a declaração final de Marcos Rogério sobre vacinas, deixa claro que o governo brasileiro, diante da demanda mundial por imunizantes contra Covid-19, tardou na decisão de comprar vacinas. “Compramos de todas. Porque quando elas (as indústrias) tiverem, nós vamos receber na proporção que os outros países estão recebendo”.
Hoje, sábado 22, Marcos Rogério tem compromissos em Cerejeiras Colorado do Oeste e Cabixi.
Autor:
Da redação
Fonte:
Folha do Sul
Publicado em 22 de Maio de 2021, às 08:13