A vereadora Maria José da Farmácia (PDT) esteve na redação do FOLHA DO SUL ON LINE no início da tarde desta terça-feira, 14. Acompanhada da nora e ex-chefe de seu gabinete, Sílvia Cristina de Oliveira, a parlamentar revelou que, um dia após o MP recomendar a demissão da assessora, ela assinou a dispensa.

Conforme o site havia publicado ontem, o MP apontava a contratação de Sílvia como prática de nepotismo, e estabelecia um prazo de dez dias para que ela fosse demitida. O promotor Fernando Franco Assunção, que assinou o ofício enviado à Câmara fazendo a recomendação, baseou-se numa denúncia feita anonimamente para investigar o caso.

Maria José voltou a lembrar que quando contratou a assessora, ela já não era mais casada com seu filho. A pedetista chegou inclusive a fazer uma consulta ao Tribunal de Contas sobre a legalidade da nomeação. Um documento oficial retirado do processo de separação do casal foi apresentado e o TCE entendeu não haver ligação familiar que caracterizasse o nepotismo.

Já na função, Sílvia e o filho de Maria José, no entanto, reataram o casamento. Mas nem foi a reconciliação que motivou o promotor a enxergar ilegalidade na contratação. Para ele, o divórcio não pôs fim à ligação afetiva entre a vereadora e a servidora. Apesar de manter esta convicção, Fernando Assunção considerou que a consulta ao TCE reforça que não houve má fé de nenhuma das duas.

 

POSTURA ÉTICA

 

Mais votada na eleição de 2012, Maria José é uma das mais combativas vereadoras do Cone Sul. Elogiada pela postura ética, disse que não afrontou lei nenhuma ao manter a nora em sua equipe. “Tive respaldo de um órgão fiscalizador, que é o TCE, atestando que não havia ilegalidade na nomeação”.

Mesmo tendo convicção de ter agido de forma legal, Maria José explicou o que a fez atender antes do prazo a recomendação do MP para dispensar a assessora: “Se acham que está errado, não vou discutir. Quero exercer meu mandato de forma correta e transparente. Por isso assinei a exoneração da Sílvia logo que tomei conhecimento da decisão do promotor”.

 

VOLUNTÁRIA

 

Graduada em Assistência Social, Sílvia, que ajudava a elaborar as propostas apresentadas por Maria José na Câmara, não contestou o posicionamento do MP. Disse que sai da função com a consciência tranqüila, mas avisou: vai continuar auxiliando a sogra. “Serei voluntária, sem qualquer ligação com a Câmara e sem exercer função pública. Sei da importância do trabalho da Maria José e, por isso, pretendo continuar ajudando”.