Uma mulher de 51 anos denunciou o companheiro, identificado pelas iniciais A.S.B., por agressão física e ameaças de morte após um episódio de violência doméstica registrado no último domingo, 11, em Comodoro, cidade de Mato Grosso na divisa com Rondônia.


Segundo a vítima, o relacionamento, que dura aproximadamente 34 anos, foi marcado por agressões, humilhações e ameaças. Ela também afirmou ter perdido gestações após episódios de violência durante a gravidez, incluindo uma de gêmeos, quando estava com cerca de seis meses de gestação. O homem foi preso em flagrante.


A agressão mais recente teria ocorrido após o suspeito retornar de uma viagem a Ji-Paraná, em Rondônia. Conforme o relato da mulher, os dois começaram a discutir por causa de acusações de infidelidade. Durante o desentendimento, ele teria a ofendido com palavras depreciativas e dado um tapa em seu rosto.


Policiais militares que atenderam à ocorrência constataram vermelhidão no lado esquerdo do rosto da vítima. Após o episódio, ela enviou uma mensagem ao sobrinho contando o que havia acontecido. Preocupado com a situação, ele acionou a Polícia Militar, que foi até a residência do casal, no bairro Nossa Senhora de Fátima.


O homem foi levado à Delegacia de Polícia Civil de Comodoro, onde teve a prisão em flagrante confirmada por suspeita de lesão corporal contra a mulher e injúria no contexto de violência doméstica.


DÉCADAS DE VIOLÊNCIA

Em depoimento, a mulher afirmou que os primeiros dez anos do relacionamento foram tranquilos, mas que, depois desse período, a convivência passou a ser marcada por discussões frequentes, ciúmes, ofensas e agressões físicas.


Segundo ela, o companheiro a acusava repetidamente de manter relacionamentos com outros homens e, durante os anos de convivência, teria praticado agressões com tapas, chutes e empurrões.


Um dos relatos mais graves envolve a perda de gestações que a mulher atribui à violência sofrida. Ela afirmou que perdeu bebês após agressões durante a gravidez, e relatou um episódio em que, grávida de aproximadamente seis meses de gêmeos, teria recebido chutes na barriga.


A documentação analisada não apresenta comprovação médica de que as perdas gestacionais tenham sido provocadas pelas agressões relatadas. A informação consta do depoimento da vítima e ainda precisa ser apurada.


A mulher também contou que, em 2019, quando morava com o companheiro em Ji-Paraná, registrou uma ocorrência e solicitou medidas protetivas. Posteriormente, os dois retomaram o relacionamento.


De acordo com a vítima, após o companheiro passar por uma cirurgia cardíaca, há cerca de um ano, as agressões físicas teriam cessado, mas as ofensas verbais e as ameaças continuaram.


AMEAÇAS CONTRA ELA E A FILHA

A mulher afirmou que o companheiro ameaçava matá-la e dizia que também mataria sua filha caso fosse denunciado à polícia. Segundo o depoimento, a jovem foi criada pelo suspeito desde a infância e teria presenciado situações de violência dentro de casa.


Ainda conforme a vítima, a filha chegou a fugir de casa quando tinha aproximadamente 13 anos, por medo do comportamento do padrasto. Atualmente, ela mora em Rondônia.