Clair negou participação em esquema de corrupção
Chegou a emocionar os advogados que participavam da audiência na Vara Federal de Vilhena, realizada na terça-feira, 12, o depoimento do secretário-adjunto de Saúde, Clair Oliveira da Cunha. Ele é acusado de integrar a “organização criminosa” que atuava na Pasta e desviava recursos através de pagamentos ilegais à empresa Tend Tudo. Também é denunciado por fraude a licitação para beneficiar a mesma firma.
Diante do juiz, Clair, 32 anos, foi às lágrimas e confessou ter cogitado se matar em virtude da vergonha que sentia por estar naquela situação. Revelou que entrou na Semusa na condição de vigia e conquistou seu espaço no órgão através de muita dedicação. Mesmo trabalhando à noite, o servidor ajudava os colegas em outras funções, conquistando a confiança que lhe permitiu ascender na carreira.
Cunha explicou que só é acusado por ter assinado algumas requisições na ausência do titular, Vivaldo Carneiro, atualmente preso na Casa de Detenção, mas teria feito isso apenas após os documentos serem auditados. Alegou que não sabia, portanto, que havia irregularidades no fornecimento de peças e serviços da Tend Tudo.
A parte comovente de sua participação na audiência, no entanto, aconteceu quando ele falou do filho, que enfrenta uma enfermidade severa e precisa buscar tratamento em outro Estado a cada ano. Em 2015, no entanto, com todos os problemas enfrentados pela família em virtude das acusações, a viagem foi cancelada.
De origem humilde, Clair confirmou que pensou em suicídio (sem informar o método que pretendia empregar para dar cabo da própria vida), já que temia continuar “envergonhando minha família pelo que não fiz”. Também achava que iria perder o cargo e com isso, deixaria de sustentar a casa. Atualmente ele está de licença-prêmio.