A senadora Fátima Cleide (PT) leu na FOLHA DO SUL, na semana passada (página 3, caderno FOLHA TUDO), uma matéria em que o pastor Nelson Lutchemberg, da Igreja Assembleia de Deus, dizia que “uma senadora de Rondônia” estaria “querendo desintegrar a família” ao defender o casamento entre pessoas do mesmo sexo.
Fátima encaminhou à redação da FOLHA um artigo, intitulado “Os equívocos da pregação, ou melhor, do discurso”. A senadora lembra que, em sendo a primeira e única Senadora de nosso Estado, tem claro que as declarações feitas pelo pastor, em discurso proferido no aniversário do vice-prefeito Jacier Rosa Dias foram dirigidas a ela.
A senadora afirma que “todos os cidadãos e cidadãs têm o direito a dignidade, a proteção do Estado, e o direito primordial que é a vida” e “infelizmente a violência contra esse segmento em nosso país é a maior do mundo, a cada dois dias um homossexual é assassinado, com requintes de ódio em nosso país”.
Na tentativa de diminuir esse quadro horrendo, a ex-deputada federal Iara Bernardi apresentou projeto de lei para igualar a discriminação aos homossexuais, aos já existentes crimes de racismo, intolerância religiosa e a xenofobia. “Como relatora desse projeto no Senado inclui a criminalização da discriminação as mulheres, aos idosos e as pessoas com deficiência. É apenas disso que o projeto trata”, reforça Fátima.
Já sobre a questão da parceria civil, Fátima lembra que não é autora nem relatora da matéria, mas que vê que está relacionada ao direito patrimonial. “Foi proposta uma legislação de garanta esse direito aos cidadãos e cidadãs homossexuais, que são iguais em direitos e deveres a qualquer um de nós heterossexuais”.
Sem querer polemizar, Fátima Cleide disse saber “da qualidade intelectual e do bom coração do respeitado pastor Nelson” e, por fim, ela diz considerá-lo “um grande parceiro na luta contra toda e qualquer forma de violência e discriminação”.
VEJA ABAIXO A ÍNTEGRA DO ARTIGO ENCAMINHADO À FOLHA POR FÁTIMA CLEIDE.
Os equívocos da pregação, ou melhor, do discurso
Por Fátima Cleide
Em sendo a primeira e única Senadora de nosso Estado, algo que inclusive me honra extremamente, tenho claro que as declarações feitas pelo Sr Nelson Lutchemberg, em discurso proferido no aniversário do vice-prefeito Jacier Rosa Dias foram dirigidas a mim.
Por entender que o tema do respeito à diversidade sexual ainda é cercado de preconceito e pseudo-polêmicas, venho mais uma vez esclarecer as proposições legislativas que estão em tramitação no Congresso Nacional voltadas ao combate à discriminação e preconceito contra a população de gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais.
Todos os cidadãos e cidadãs têm o direito a dignidade, a proteção do Estado, e o direito primordial que é a vida. Infelizmente a violência contra esse segmento em nosso país é a maior do mundo, a cada dois dias um homossexual é assassinado, com requintes de ódio em nosso país. Na tentativa de diminuir esse quadro horrendo, a ex Dep. Iara Bernardi apresentou projeto de lei para igualar a discriminação aos homossexuais, aos já existentes crimes de racismo, intolerância religiosa e a xenofobia. Como relatora desse projeto no Senado inclui a criminalização da discriminação as mulheres, aos idosos e as pessoas com deficiência. É apenas disso que o projeto trata.
Já a questão da parceria civil, apesar de não ser autora nem relatora da matéria, vejo que está relacionada à questão de direito patrimonial. Concordemos ou não, é fato que existem pessoas do mesmo sexo que se relacionam e que vivem juntas por anos, às vezes até mais que relacionamentos heterossexuais, constroem patrimônio, dividem lucros e despesas, para que em caso de óbito de um dos parceiros, ou para que essas pessoas tenham acesso a benefícios legais como plano de saúde ou financiamento conjunto de imóveis, foi proposta uma legislação de garanta esse direito aos cidadãos e cidadãs homossexuais, que são iguais em direitos e deveres a qualquer um de nós heterossexuais.
Sabendo da qualidade intelectual e do bom coração do respeitado pastor, tenho certeza de que ele é e será um grande parceiro na luta contra toda e qualquer forma de violência e discriminação.