Sai hoje à noite a decisão definitiva da Justiça quanto à aplicação ou não da Lei da Ficha Limpa nas eleições deste ano. O Supremo Tribunal Federal (STF), última instância do judiciário, encarregado de se pronunciar sobre assuntos constitucionais, leva a julgamento uma ação proposta pelo ex-governador do Distrito Federal, Joaquim Roriz (PSC), questionando a norma que impede candidaturas de postulantes condenados  em sentença colegiada.

A decisão interessa diretamente ao ex-senador Expedito Júnior (PSDB), impugnado em duas instâncias e que pode ter sua candidatura ao Governo de Rondônia liberada (ou não) em razão do que for aplicado a Roriz. Especialistas acham que o STF vai barrar a Ficha Limpa e, portanto, o tucano deverá concorrer.

Mas, independente de qual seja o resultado da votação dos ministros, Expedito Júnior deve acirrar ainda mais a já polarizada eleição para governador. Sendo liberado, o ex-senador deve crescer alguns pontos percentuais nas intenções de voto e colar nos dois adversários que, segundo as últimas pesquisas, estaria à sua frente. Sendo derrotado, pode tomar uma decisão surpreendente e se aliar ao petista Eduardo Valverde, que amarga a quarta colocação no pleito, atrás do próprio Expedito, de Confúcio Moura (PMDB) e de João Cahulla (PPS), os dois que estariam na liderança.

A proposta para que o ex-senador embarque no comboio petista, em caso de impugnação definitiva, está sendo costurada por lideranças do PT e do PSB. O argumento para convencer o tucano está na ponta da língua: ele ajudaria a eleger dois inimigos (Raupp e Acir), se aliando a Confúcio, e estaria sendo humilhado se juntando a Cahulla, já que foi praticamente escorraçado do grupo do atual governador. “O melhor para o Expedito, em não sendo candidato, é fazer um acordo com o Valverde, que certamente chegaria ao segundo turno com seu apoio”, prega o ex-deputado Nilton Schramm (PSB), um dos mentores da aliança, que depende só dos ministros do STF para ser fechada.