Diretora da unidade foi ao quarto questionar informação sobre presença de ratos no local
A filha da aposentada Nair Miotto Veronezi, de 77 anos, paciente do Hospital Regional de Vilhena, que denunciou a situação em que ela se encontra na unidade de saúde, onde espera por uma cirurgia ortopédica há mais de 15 dias, entrou em contato novamente com a reportagem do FOLHA DO SUL ON LINE novamente e relatou que as idosas foram “coagidas” por uma servidora da unidade após a divulgação da reportagem (RELEMBRE AQUI).
Segundo Maria Aparecida Veronezi Campos, após a reportagem que garantiu o direito de resposta da gestão do hospital ser veiculada relatando que além da longa espera, ratos foram vistos no quarto das pacientes, uma servidora, que segundo a descrição da mãe se trata da diretora da unidade, Siclinda Raasch, foi até o quarto e as questionou de forma ríspida sobre a presença de roedores na unidade, exigindo ainda a que as pacientes fornecessem a identidade de quem fez as filmagens. Siclinda já deixou a direção do HR ao ser nomeada secretária de Saúde.
Assustadas diante dos questionamentos da servidora, as idosas se calaram, afirmando apenas que havia muitos pernilongos no quarto, mas Siclinda, ainda segundo elas, teria dito que não queria saber, tendo interesse apenas na identidade de quem filmou os relatos das pacientes e de quem teria visto ratos.
Inconformada com a atitude da servidora, a filha de Nair, que não estava na unidade no momento da visita da diretora, mas foi informada pela mãe quando chegou horas depois, se mostrou preocupada coma situação da idosa, pois há dias que a ela está na lista de espera como a próxima a ser submetida à cirurgia e nada é feito.
“Falaram que minha mãe era a próxima, mas duas pessoas que estavam no mesmo quarto e foram operadas já até receberam alta e minha mãe que denunciou, continua sofrendo”, relatou a filha emocionada.
A reportagem do site entrou em contato com a diretora Siclinda, mas esta preferiu se pronunciar através de uma nota encaminhada pela Assessoria de Comunicação.
CONFIRA A NOTA NA ÍNTEGRA
A diretora explica que esteve no quarto das pacientes para verificar as denúncias feitas ao jornal, visto que as mesmas denúncias não foram feitas à equipe do hospital. Siclinda foi até o quarto levar álcool em gel para os pacientes e perguntou a elas sobre as condições do quarto e se realmente tinham visto ratos no quarto. As pacientes informaram, então, que não tinham visto ratos lá, e sim que tinham apenas "ouvido barulhos no forro". Siclinda explicou que por ser um forro de gesso, a variação da temperatura causa estalos corriqueiros e normais devido à expansão e contração do material conforme o dia e a noite são mais quentes ou frios.
As pacientes então informaram que havia mosquitos no hospital. Siclinda lembrou que o hospital passa por limpeza geral e periódica, além de estar em reforma para melhorar a estrutura, além de ressaltar que os pernilongos são capazes de se deslocar por até 1,5 km de sua origem em busca de alimentação. Como a aplicação de inseticida não pode ocorrer dentro do hospital, a Saúde conta com o apoio da população para evitar a proliferação do Aedes aegypti, visto que, segundo levantamento do Setor de Endemias divulgado nesta semana, 82% dos criadouros estão em quintais de casa habitadas. Ainda assim, a aplicação do inseticida está programada para acontecer nos entornos do hospital para evitar a formação de eventuais colônias nos terrenos baldios próximos.
Siclinda garante que em momento algum ameaçou ou coagiu pacientes. Assegura também que afirmou às pacientes que o Hospital Regional de Vilhena está cuidando e fazendo seu melhor para mantê-las bem até que o Estado as chame para a cirurgia, conforme a lista de espera da Central de Regulação do Governo do Estado.
A direção do hospital lembra que qualquer crítica pode ser dirigida diretamente à direção do hospital, formada por três profissionais de saúde capacitados e responsáveis pela solução, de fato, dos eventuais problemas na unidade. É através de conversa no próprio hospital que haverá mais agilidade na solução das demandas dos pacientes.
Já com relação à demora na realização do procedimento cirúrgico, a assessoria informou que Nair está aguardando vaga para Cacoal, no entanto, o referido município ainda não liberou.
Uma paciente que era de Corumbiara e estava no mesmo quarto que a idosa foi contra-referenciada para a cidade de origem, o que significa que ela vai aguardar em Corumbiara por sua cirurgia, que será feita em Porto Velho.
Outras pacientes que estavam no quarto com ela e que já fizeram cirurgia foi em Vilhena mesmo.
No caso da Nair, de fato, ela precisa aguardar a vez dela na fila devido a cirurgia ser de alta complexidade e não poder ser feita do Hospital Regional. A expectativa do hospital de Cacoal é que surja a vaga na próxima semana, mas é difícil precisar a data.
Autor:
Da redação
Fonte:
Folha do Sul
Publicado em 20 de Março de 2021, às 08:41