Três filmes vão contar história do conflito


Amanhã (dia 30 de julho), o Instituto Federal de Rondônia – IFRO – Campus Vilhena, através do Projeto História, Cinema & Tecnologia exibirá 03 documentários que tratam sobre o conflito agrário de Corumbiara, ocorrido no dia 09 de agosto de 1995, na fazenda Santa Elina. Este conflito é tido como um dos maiores da história recente do país. Naquele ano, cerca de 600 famílias camponesas haviam ocupado a fazenda no dia 25 de julho e em menos de uma semana a Justiça rondoniense sentenciou a reintegração de posse, prontamente atendida pelo então governador Valdir Raupp e que resultou na morte de 09 camponeses e 02 policiais. Entre as vítimas estava uma criança, Vanessa, de apenas 06 anos.
Outras pessoas também envolvidas no conflito foram assassinadas após a ocupação: o jovem Sérgio Rodrigues, já rendido e preso na manhã do dia 09, foi retirado de cima de um caminhão e seu corpo foi encontrado 15 dias depois, boiando no rio Tanarú com marcas de espancamento e de perfuração de bala. Sérgio foi identificado como uma das lideranças que organizaram a resistência ao cerco realizado por pistoleiros e policiais na madrugada do mesmo dia. Da mesma forma o vereador Nelinho Ribeiro, de Corumbiara, que apoiou os camponeses, também foi assassinado meses depois. Para muitos posseiros da região e pesquisadores, mesmo sem a presença de corpos, o número de vítimas é maior, considerando  todos os que morreram posteriormente em virtude das sequelas do conflito.
À época D. Geraldo Verdier, bispo de Guajará-Mirim, enviou ossos encontrados para análise em laboratório na França, que constatou se tratarem de restos humanos. Houve inúmeros relatos de torturas e execuções sumárias por parte da PM e paira sobre a ação desastrosa da polícia a denúncia de terem entre seus efetivos, pistoleiros e funcionários de fazendas recrutados por latifundiários da região de Corumbiara e Vilhena.
Esta e outras questões serão discutidas com cineastas, camponeses, estudantes e professores. Entre os documentários selecionados, estão os documentários: “CORUMBIARA: Esta Terra é Nossa”, de Ana Lúcia Nunes (RJ), Pâmela G. Jimenez (Bolívia) e CODEVISE; “CORUMBIARA NUNCA MAIS”, da Central Única dos Trabalhadores; “CORUMBIARA: O massacre dos camponeses”, da Prof.ª Drª Helena Angélica Mesquita entre outros curtas. A sessão temática ocorrerá no horário das 13:30 às 17:00 no Auditório do IFRO – Campus Vilhena e é aberta a toda a comunidade.
 
 
PROJETO DE CINEMA INTEGRADO COM OUTRAS ATIVIDADES DE ENSINO, EXTENSÃO E PESQUISA.
 
Segundo o Historiador e Professor Ms. Márcio M. Martins (IFRO-Campus Vilhena), a proposta de discutir História Regional e Conflitos agrários, vai além de uma simples exibição e debate do tema em uma tarde. Trata-se de manter a memória e a resistência dos camponeses que se expressam em Corumbiara e em outros conflitos agrários desconhecidos pelo grande público. “A história recente de Rondônia, sobretudo a partir da colonização recente das décadas de 1970, 1980 e 1990 são marcadas por conflitos agrários em todo o território rondoniense e são o reflexo das políticas do gerenciamento militar que apenas deslocaram os conflitos do centro sul do Brasil para a Amazônia”, afirma.
Os conflitos agrários envolvendo camponeses e latifundiários ainda são uma constante no Estado. Segundo a Comissão Pastoral da Terra, em 2014, Rondônia foi um dos Estados com a maior incidência de conflitos agrários e assassinatos, no campo, ficando atrás apenas do Pará. Estamos realizando uma pesquisa que objetiva levantar e quantificar esses conflitos agrários no Cone Sul de Rondônia, mas também analisar as causas desses conflitos.
O pesquisador também coordena outro projeto de Extensão denominado História, Memória e Resistência camponesa de Corumbiara, que objetiva apoiar as famílias assentadas na antiga fazenda Santa Elina, por meio de ações afirmativas que valorizem e incentivem as famílias a permanecerem em suas terras. “Nossa proposta, prevê, entre outras ações, fomentar a discussão e a resolução de problemas relacionados à questão educacional e à produção agrícola, duas questões importantes para garantir a permanência na terra, conclui o professor.