Aos 37 anos, o artesão José Luís Kassupá é uma referência indígena quanto a articulação política. Morador de Chupinguaia, o militante, que não é filiado a nenhum partido, mas participa ativamente da vida pública, tem um sonho: quer fazer faculdade de Direito. Questionado sobre a escolha do curso, o rapaz, casado, pai de três filhos, é objetivo: “Estamos cercados por predatores e alguém precisa de conhhecimento para defender as causas indígenas”. O silvícola, hoje completamente aculturado, no entanto, diz que não pretende limitar sua atuação à proteção de seus irmãos: “As leis que protegem os índios também podem amparar pescadores e ribeirinhos, entre outras minorias”, diz.
Filho de pai Kassupá e mãe Oronau, Zé Luís nasceu em Guajará-Mirim. Acompanhou o pai, funcionário da Funai por várias tribos e, desde criança, se instalou na aldeia Aikanã, a 100 quilômetros de Chupinguaia. Há pouco mais de uma década, mora na cidade, mas não perdeu o contato com as tradições ancestrais.
Vivendo da modesta renda que lhe garante o artesanato, Kassupá denuncia a situação de penúria em que vivem os mais de 9 mil índios de Rondônia. Só no Cone Sul, e apenas este ano, mais de 20 membros de aldeias da região, foram a óbito. A maioria das mortes, segundo o militante, ocorreu por negligência médica. Para ele, o modo mais eficiente para evitar o descaso dedicado ao seu povo seria o governo estadual implantar uma secretaria específica para tratar das questões indígenas. “Hoje, todas as aldeias sofrem com a dificuldade para produzir alimentos, com a falta de estradas e enfrentando problemas na educação e na saúde”, enumera.