A Polícia Federal investiga o presidente do PRTB, Leonardo Avalanche, vice na chapa presidencial do inelegível Pablo Marçal, por suspeita de desviar R$ 750 mil do fundo eleitoral nas eleições municipais de 2024. A apuração aponta que Avalanche e familiares teriam recebido parte dos recursos por meio de empresas intermediárias.


A investigação começou após uma denúncia anônima à PF sobre um repasse do partido ao escritório de advocacia de Samuel Alves de Azevedo, secretário-geral do PRTB. A quebra de sigilos bancários levou os investigadores a identificar operações com empresas, saques em dinheiro e movimentações na conta do filho de Avalanche, que tinha 13 anos à época.


O escritório de Samuel Azevedo recebeu R$ 750 mil do fundo eleitoral no início de setembro de 2024. Entre aquele mês e fevereiro de 2025, R$ 501 mil seguiram para contas ligadas a Avalanche e seus familiares por meio da JFX Consultoria e da Superstar Corporate Ltda., empresas sob suspeita de integrarem o esquema.


Na mesma época do recebimento dos recursos, o escritório transferiu R$ 100 mil para Ana Cláudia Ferreira de Faria Alves, mulher de Avalanche. Nos dias 11, 12 e 14 de outubro de 2024, ela devolveu o valor em três operações; dez dias depois, recebeu R$ 150 mil da Superstar, conforme os dados examinados pela PF.


PF aponta transferências para filho de Avalanche e empresas intermediárias

A Superstar também enviou R$ 100 mil ao filho de Avalanche. A PF identificou que o adolescente movimentou R$ 751 mil durante os oito meses abrangidos pela quebra de sigilo, incluindo repasses aos pais.


Os investigadores consideraram incomum o uso da Cooperativa de Livre Admissão e dos Advogados LTDA nas transações da família de Avalanche. A Superstar tinha endereço em uma rua residencial de Americanópolis, bairro da periferia de São Paulo, enquanto seu sócio à época, Cristiano Silva Coelho, declarou endereço em Vilhena, a maior cidade do Sul de Rondônia.


A PF também rastreou dois pagamentos de R$ 50 mil feitos pela empresa de Adevando Junior, então tesoureiro do PRTB: um à esposa de Avalanche e outro ao filho. Criada em abril de 2024, a JFX Consultoria movimentou R$ 160 mil em operações com os investigados e, para a corporação, pode ter intermediado pagamentos para ocultar origem e destino dos valores.


Em nota, Avalanche negou irregularidades, afirmou que colabora com as investigações e declarou: “Não me é possível comentar aspectos específicos do caso fora dos autos”. Ele disse que prestará esclarecimentos à autoridade policial “no momento processual adequado” e deve depor nas próximas semanas. Samuel Alves, a Superstar e Adevando Junior não responderam aos pedidos de manifestação.